Seja bem vindo, hoje é 15 de março de 2026

Parceiros do Rede Repórter

• Inflação fecha 2024 em 4,83%, estoura teto da meta e reforça pressão para 2025

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), considerado a inflação oficial do país, mostra que os preços subiram 0,52% em dezembro, segundo dados divulgados nesta sexta-feira (10) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Em 2024, a inflação teve alta de 4,83% e ficou acima do teto da meta de inflação definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). A meta para o ano era de 3% e seria considerada formalmente cumprida se ficasse em um intervalo entre 1,5% e 4,5%.

O resultado de dezembro mostra uma aceleração da inflação em relação à novembro, quando o IPCA subiu 0,39%. Já em dezembro de 2023, a inflação foi de 0,56%.

A inflação do mês veio em linha com as expectativas do mercado financeiro.

Oito dos nove grupos de produtos e serviços pesquisados pelo IBGE tiveram alta nos preços em dezembro, com destaque para o grupo de Alimentação e bebidas.

Foi a maior alta percentual no mês, de 1,18%, e também o maior impacto sobre o índice, de 0,25 ponto percentual (p.p.). Foi o quarto aumento consecutivo dos alimentos, puxados principalmente pelas carnes. Entre setembro e dezembro, elas acumularam alta de 23,88%.

O gerente da pesquisa do IPCA, André Almeida, explica que, embora a alta dos alimentos seja causada por fatores como a destinação de safras para exportações, por exemplo, “as questões climáticas exerceram uma forte influência sobre esses itens”.

O grupo de Habitação foi o único que registrou queda em dezembro, de 0,56%. O impacto no índice geral foi negativo, de 0,08 p.p.

Veja o resultado dos grupos do IPCA em dezembro

 

  • Alimentação e bebidas: 1,18%;
  • Habitação: -0,56%;
  • Artigos de residência: 0,65%;
  • Vestuário: 1,14%;
  • Transportes: 0,67%;
  • Saúde e cuidados pessoais: 0,38%;
  • Despesas pessoais: 0,62%;
  • Educação: 0,11%;
  • Comunicação: 0,37%.
  • Alimentação segue subindo, mas conta de luz traz alívio

     

    O grupo de Alimentação e bebidas teve o maior impacto sobre a inflação pelo quarto mês seguido.

    Em dezembro, a alta veio tanto do subgrupo Alimentação no domicílio, com um avanço de 1,17%, quanto da Alimentação fora do domicílio, que subiu 1,19%.

    As carnes foram os subitens que mais pesaram no orçamento das famílias no mês passado. O avanço médio dos preços foi de 5,26%, mas alguns cortes registraram altas mais acentuadas, como costela (6,15%), alcatra (5,74%) e contrafilé (5,49%).

    O óleo de soja e o café moído também pesaram bastante sobre a inflação de dezembro, com altas de 5,12% e 4,99%, respectivamente.

    Por outro lado, os destaques de baixa foram o limão (-29,82%), a batata-inglesa (-18,69%) e o leite longa vida (-2,53%).

    Na Alimentação fora do domicílio, duas altas: a refeição fora de casa subiu 1,42% no mês, enquanto o lanche avançou 0,96%.

    O grupo Transportes (0,67%) também teve peso importante na inflação de dezembro. O impacto foi de 0,14 p.p., puxado pelo aumento nos preços do transporte por aplicativo, que dispararam 20,7% no mês.

    Também tiveram alta as passagens aéreas (4,54%) e os combustíveis (0,7%). Entre os combustíveis, o etanol subiu 1,92%), o óleo diesel, 0,97%, a gasolina, 0,54%, e o gás veicular, 0,49%.

    Por fim, o grupo Habitação teve deflação em dezembro, beneficiado pela redução dos preços da energia elétrica residencial. A conta de luz teve uma baixa de 3,19% no mês, consequência do retorno da bandeira tarifária verde, que não cobra valores adicionais pela energia consumida.

    Preços monitorados e serviços

     

    A inflação de serviços teve uma desaceleração em dezembro, passando de 0,83% no mês anterior para 0,66%. No entanto, os serviços acumularam alta de 4,78% em 12 meses, acima dos 4,71% observados em 2023.

    No mês, a alta foi puxada por serviços relacionados ao turismo e transportes por aplicativos.

    Já os preços monitorados recuaram 0,17% em dezembro, de um recuo de 0,87% em novembro. O grupo também foi beneficiado por conta da redução dos preços da energia elétrica residencial. Em 12 meses, acumulam alta de 4,66%.

    Veja o resultado dos grupos do IPCA em 2024

     

    • Alimentação e bebidas: 7,69%;
    • Habitação: 3,06%;
    • Artigos de residência: 1,31%;
    • Vestuário: 2,78%;
    • Transportes: 3,30%;
    • Saúde e cuidados pessoais: 6,09%;
    • Despesas pessoais: 5,13%;
    • Educação: 6,70%;
    • Comunicação: 2,94%.

     

    Destaques do ano

     

    No acumulado do ano, todos os nove grupos tiveram alta, mas o destaque também ficou com Alimentação e bebidas, que teve a maior alta percentual e o maior impacto sobre o índice, de 1,63 p.p..

    A alimentação no domicílio avançou 8,23% no ano. As carnes foram o destaque. Em 2024, acumularam alta de 20,84% — a maior variação desde 2019, quando o avanço foi de 32,40%. O impacto das carnes sobre o índice foi de 0,52 p.p. — o maior entre todos os itens pesquisados.

    Também foram destaques entre as altas:

    • café moído, com alta de 39,60% e impacto de 0,15 p.p.;
    • leite longa vida, com alta de 18,83% e impacto de 0,13 p.p.;
    • frutas, com alta de 12,12% e impacto de 0,14 p.p..

     

    A alimentação fora do domicílio também avançou, com alta de 6,29%. A refeição fora de casa aumentou 5,70% e o lanche, 7,56%.

    Além da alimentação, outras altas importantes vieram de Saúde e cuidados pessoais, com impacto de 0,81 p.p., e Transportes, com impacto de 0,69 p.p.Juntos, os três grupos respondem por 65% da inflação de 2024.

    No grupo de Saúde, as maiores contribuições vieram dos planos de saúde (7,87%) e dos produtos farmacêuticos (5,95%). Ambos tiveram reajustes autorizados pelos órgãos reguladores. Itens de higiene pessoal também avançaram, com alta de 4,22% no ano.

    Já nos Transportes, o destaque fica com a gasolina, que avançou 9,71% e teve um impacto de 0,48 p.p. sobre o índice.

    Olhando para os 377 subitens pesquisados pelo IBGE — que são produtos e serviços mais específicos dentro de categorias maiores (como o subitem “alcatra” dentro do item “carnes”) — os destaques foram:

    Estouro da meta em 2024 e perspectivas para 2025

     

    O país voltou a estourar o limite da meta da inflação em 2024. Em 2023, depois de estourar o teto da meta também em 2021 e 2022, a inflação anual ficou em 4,62% — a meta naquele ano era de 3,25% e, para ser cumprida, podia oscilar entre 1,75% e 4,75%.

    Quem determina a meta inflacionário do país é o Conselho Monetário Nacional (CMN), composto pelo presidente do Banco Central do Brasil (BC) e os ministros da Fazenda e do Planejamento.

    Pelo sistema de metas, o BC deve tomar suas decisões de política monetária, manejando a Selic, taxa básica de juros, de forma que a inflação fique dentro do intervalo estabelecido pelo CMN para o ano.

    Juros maiores encarecem a tomada de crédito para pessoas e empresas e, por isso, reduzem o consumo da população — o que leva a um controle da inflação. Ao contrário, juros menores barateiam o crédito, tornando o consumo mais acessível e movimentando a economia.

    Quando o país não alcança a meta de inflação, o presidente do BC, atualmente Gabriel Galípolo, precisa escrever e enviar uma carta ao chefe do Ministério da Fazenda, cargo ocupada por Fernando Haddad, para explicar os motivos por trás do estouro da meta.

    Para Heliezer Jacob, economista do C6 Bank, o cenário econômico deve continuar “desafiador” em 2025 e a inflação pode encerrar mais um ano acima do teto da meta — que, para este ano, é a mesma do ano passado.

    “O mercado de trabalho aquecido e a perspectiva de câmbio depreciado pressionarão ainda mais a inflação. Nossa projeção é de que o IPCA feche o ano em 5,7%, novamente acima do limite superior da meta”, comenta Jacob.

    O economista-chefe da G5 Partners, Luis Otávio Leal, tem uma visão diferente. Para o especialista, a política de alta dos juros que o BC já está adotando e que pode levar a taxa Selic perto dos 15% ao ano já deve reduzir a pressão sobre o consumo e sobre os preços.

    “Além disso, ao contrário de 2024, quando tivemos o impacto de dois fenômenos climáticos– El Niño e La Niña – e uma quebra de safra agrícola, 2025 aparenta ter apenas um La Niña fraco e uma safra recorde. Com isso esperamos uma variação nos alimentos bem abaixo do que foi no ano passado”, diz Leal.

     

    INPC tem alta de 0,55% em dezembro

    O Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) — que é usado como referência para reajustes do salário mínimo, pois calcula a inflação para famílias com renda mais baixa — teve alta de 0,48% em dezembro. Em novembro, houve alta de 0,33%.

    Assim, o INPC acumulou alta de 4,77% em 2024. No ano anterior, o índice acumulou 3,71%.

    G1

Parceiros do Rede Repórter