Uma advogada denuncia que equipes da Zoonose da Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) recolheram sua cadela, Cheetara, que havia fugido de casa no bairro Sagrada Família, região Leste, e realizaram o procedimento de eutanásia no animal com quem ela conviveu por 20 anos. A tutora registrou um boletim de ocorrência na Polícia Civil e protocolou uma denúncia no Ministério Público de Minas Gerais (MPMG). Ela afirma que, do recolhimento até a morte de Cheetara, passaram-se três horas. O município alega que o animal estava machucado.
“Há duas décadas convivi com Cheetara. Na última sexta-feira (21 de fevereiro), ela ficou com minha mãe, mas, em um momento de descuido, acabou fugindo de casa. Quando fiquei sabendo do sumiço dela, busquei ajuda na região e me disseram que ela foi vista indo no sentido Horto”, conta Mônica Corrêa.
Um vídeo surgiu durante as buscas e fez com que Mônica obtivesse algumas informações sobre o possível paradeiro de Cheetara. A advogada entrou em contato com algumas pessoas e acabou descobrindo que, na verdade, a cadela tinha sido recolhida por uma equipe da Zoonose, visto que a pessoa que a encontrou não tinha condições de permanecer com ela em casa, pois já cuidava de outro animal no imóvel.
“Ingenuamente, pensei que a Cheetara estava bem. Fui no fim de semana até a Zoonose e me disseram que precisaria retornar na segunda, pois estava fechado. Assim fiz e, para minha surpresa, após passar pela triagem, acabei descobrindo que tinham feito eutanásia nela. Levei um susto. A alegação deles foi que Cheetara estava ‘muito mal'”, relembra.
Mônica questiona a justificativa, afirmando que, no dia em que Cheetara desapareceu, ela havia feito exames que deram negativo para leishmaniose e que os hemogramas apresentavam bons indicadores para a idade da cadela. “Eles falaram que sequer realizaram exames nela antes de sacrificá-la, pois ela apresentava ferimentos pelo corpo que, na verdade, eram dermatites”.

‘Fiquei arrasada’
Ainda na Zoonose, Mônica tentou saber onde estava o corpo de Cheetara e foi informada de que ele havia sido incinerado. “Saí de lá arrasada. Pensei que ia voltar pra casa com minha cachorra. O sentimento, primeiro, é de tristeza e, depois, de revolta. Aquele local é um extermínio de animais”.
A tutora de Cheetara voltou à unidade da Zoonose nessa quarta-feira (26 de fevereiro). “O chefe da Zoonose confirmou o que eu já sabia: minha amiga de décadas foi morta friamente pela Zoonose, que desrespeitou o prazo de três dias previsto em lei para que o tutor a retirasse de lá”, desabafa.
O que diz a PBH
Em nota, a prefeitura afirmou que a eutanásia foi realizada após ser constado que o animal estava em “estado clínico extremamente grave e com sinais de sofrimento”. Veja o posicionamento na íntegra abaixo:
“A Prefeitura de Belo Horizonte informa que na última sexta-feira (21/2) recolheu uma cadela na região do bairro Sagrada Família. Após avaliação da equipe veterinária do Centro de Controle de Zoonoses, foi constado que o animal estava em estado clínico extremamente grave e com sinais de sofrimento, sendo necessária a eutanásia.
É importante destacar que, para a realização desse procedimento, a Secretaria Municipal de Saúde segue as diretrizes estabelecidas pela Resolução 1000 do CFMV, de 2012, e a Portaria Municipal SMSA/SUS-BH 190, de 2022. Os documentos orientam que, em situações em que o bem-estar animal estiver comprometido de forma irreversível ou houver ameaça à saúde pública, fica autorizada a realização da eutanásia. O município está à disposição do
Recolhimento de animais
O Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) realiza o recolhimento de cães e gatos soltos nas vias sem tutores próximos. O pedido deve ser feito por meio dos telefones 3277-7414, 3277-7411 e 98372-1785, informando o endereço onde os animais estão. Os animais que chegam ao CCZ passam por uma consulta com veterinário.
Além dessa avaliação, é feita vermifugação, vacina contra a raiva e controle de ectoendoparasitas. Os cães e gatos aguardam o período de dois dias após a captura para serem resgatados por seus tutores. Expirado o prazo, eles são disponibilizados para adoção nas dependências da unidade, de segunda a sexta-feira, das 9h às 16h.”
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