O ministro da Previdência Social, Carlos Lupi (PDT), admitiu que muitas instituições e associações ligadas ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) “abusaram” e fizeram “coisas erradas”.
No entanto, em entrevista ao jornal “Folha de S.Paulo”, publicada nesta segunda-feira (28), o ministro afirma que não houve qualquer tipo de omissão por parte de seu ministério e que maioria das fraudes que vieram à tona na semana passada, após operação da Polícia Federal (PF) e da Controladoria-Geral da União (CGU), vieram da gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro.
“Que vai ter coisa errada, vai, com certeza. Muitas instituições abusaram e devem pagar por isso”, diz Lupi.
A autarquia está no centro de uma crise, após a descoberta de um esquema de descontos não autorizados em benefícios de aposentados e pensionistas. Estima-se que o prejuízo com esse esquema tenha chegado a R$ 6,3 bilhões entre 2019 e 2024.
“A gente recebeu como herança uma instituição completamente dilapidada. Das 11 associações investigadas, 10 tiveram acordos firmados até 2022”, disse Lupi, atribuindo as fraudes ao governo de Bolsonaro.
“Mais de 60% dos descontos estão concentrados em 11 associações. Cinco delas foram credenciadas em 2022, e a partir daí elas concentraram muito esforço para ampliar o recolhimento de contribuição. Até agora, essa é a explicação que me ofereceram, é o raciocínio mais lógico. Não estou acusando, estou constatando. Há outra questão grave que é a operação casada que o sistema financeiro faz com as associações. Botam as famosas pastinhas que oferecem entrada na associação, pede assinatura e diz que o beneficiário vai ter direito a advogado, área de lazer… Coisa que muita associação oferece mesmo” continua o ministro.

‘Safadeza de muita gente’
Perguntado se houve alguma omissão da pasta, Lupi afirmou que são milhões de processos diariamente que chegam à Previdência e que o processo de apuração é complexo.
“Eu não tenho preocupação nenhuma, não fui omisso em nada. A demissão do cara foi feita em tempo. Agora, são 6 milhões de processos, não é simples investigar. A Previdência Social tem mais de 1 milhão de pedidos novos por mês, não pode parar a Previdência. É tudo complexo, tudo difícil. A prova de que eu não fui omisso é que eu demiti o diretor. Fizemos uma portaria, fizemos uma instrução normativa, implementamos biometria. É assim: se tem instituições que fraudaram e roubaram aposentados, então nós temos o dever de defendê-los. Eu tenho certeza que tem muita safadeza de muita gente. Mas cinco ou seis servidores foram alvos, e eu vi mais de 200 pessoas ligadas às associações. Os cinco ou seis é que são os bandidos? Se estiver provado, eles vão pagar. Mas e os outros 200? E tem instituições sérias aí também, não se pode colocar todas no bolo”, afirmou Lupi.
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