Tatiana Santos/radiopontal.com.br
Números do Ministério do Trabalho e Emprego apontaram em maio que Minas Gerais lidera o ranking de empregadores que submeteram trabalhadores a condições análogas à escravidão. Numa lista de 745 empresas, o estado contabilizou 159. Para trazer reflexão sobre o tema e divulgar ações de conscientização, foi criado em 2024 o projeto ‘ComCiência dos Fazeres: na contramão da escravidão moderna’. O trabalho foi inspirado em meta do Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 8 (ODS 8), da Agenda 2030 da ONU, que é promover o trabalho decente.
A iniciativa é da pedagoga e servidora pública da Universidade Federal de Itajubá (Unifei) de Itabira, Cleide Beatriz Gomes dos Reis, com o apoio das estudantes/bolsistas de Engenharia de Saúde e Segurança, Paola Souza e Aline Ventura. De acordo com Cleide, a ideia do projeto era trabalhar dentro da universidade a questão racial. Entretanto, notou-se uma necessidade de caminhar um pouco mais para tratar sobre as condições de trabalho atual, entendendo que dentro das condições degradantes, o público negro e com baixa escolaridade é o mais afetado. “Em pleno século 2021, nós estamos ainda combatendo o trabalho análogo à escravidão nas condições da idade moderna, 1500, 1600, 1700, naquela época da escravidão mesmo. Só está faltando mesmo colocar uns grilhões nas pessoas”, argumenta.

O trio de trabalho cita casos emblemáticos como o que ocorreu nas vinícolas Salton e Aurora, no Rio Grande do Sul, onde 207 trabalhadores em condições precárias e sem documentação foram resgatados pela Polícia Federal em 2023 após denúncias. Há ainda, questões relacionadas a trabalhadores de indústrias da moda, costura, construção civil. Mas há casos que envolvem mulheres que trabalham por 15, 30 anos em casas de famílias sem carteira assinada, em más condições, sem direitos básicos etc. Para Cleide, a forma de trabalho que desrespeita a pessoa como ser humano abre a porta para suprimir a dignidade das pessoas. “Trabalho é uma benção de Deus, nos dignifica. Agora, como as pessoas conseguiram pegar uma coisa que é para ser abençoada, que é você realizar coisas com a sua própria mão, sua mente, construir, e isso virou um instrumento de subjugar pessoas.




