Seja bem vindo, hoje é 7 de março de 2026

Parceiros do Rede Repórter

• Ronaldinho é intimado no Mineirão em processo sobre esquema de pirâmide; entenda

Um caso que envolve Ronaldinho Gaúcho ganhou novos capítulos nesse fim de semana. A Itatiaia apurou que um oficial de Justiça compareceu ao Mineirão, em Belo Horizonte, no último sábado (11), durante o “Desafio de Gigantes”, para intimar o astro. No entanto, no momento do cumprimento do mandado, o ex-atleta estava em campo no jogo festivo.

O ex-jogador e empresário foi citado em um processo que apura a participação dele em um esquema de pirâmide.

Roberto de Assis Moreira, ex-jogador, irmão e empresário do ídolo de Barcelona-ESP, Atlético e outros clubes, recebeu o mandado como procurador do ex-jogador.

reportagem teve acesso ao documento assinado pelo oficial de Justiça. Leia abaixo.

“MM. Juiz,(a)

CERTIFICO que, em cumprimento à ordem expressa contida no respeitável mandado nº 2 dirigi-me à Av. Antonio Abrahão Caram, 1001, Bairro São Luiz, no dia 11 de outubro, às 16h16, observando todas as formalidades legais aplicáveis, bem como as diretrizes estabelecidas no despacho judicial e em conformidade com os termos vigentes. Nesse local, procedi à citação de Ronaldo de Assis Moreira, por intermédio do Sr. Roberto Assis Moreira, que se apresentou como seu procurador, a quem foram lidos integralmente o conteúdo do mandado e suas respectivas cópias, assegurando-se sua plena compreensão e ciência do teor do ato. Em seguida, foi-lhe entregue a contrafé, a qual aceitou e assinou, atestando, assim, seu conhecimento e concordância com os termos do mandado.

O REFERIDO É VERDADE E DOU FÉ

Belo Horizonte, 11 de Outubro de 2025”

A  reportagem apurou que a citação busca deixar Ronaldinho ciente de que ele está envolvido no processo. A ação, que tramita na 28ª Vara Cível da Comarca de Belo Horizonte, é movida conjuntamente por 19 pessoas.

“Defiro o pedido para que o réu Ronaldo de Assis Moreira, popularmente conhecido como Ronaldinho Gaúcho, seja citado por hora certa no endereço e horário informados na mencionada petição, devendo o mandado ser expedido com extrema urgência”, diz trecho do despacho assinado pela juíza Myrna Fabiana Monteiro Souto, ao qual a Itatiaia teve acesso.

A ação cobra danos morais e danos materiais. O valor pedido como indenização é de R$ 651.563,63.

reportagem entrou em contato com a defesa de Ronaldinho, que alegou desconhecer o processo movido contra o ex-jogador. Ela também alega que a empresa 18K Ronaldinho usou, indevidamente, a imagem do ex-atleta.

Entenda o caso

Ronaldo de Assis Moreira, o Ronaldinho Gaúcho, é citado em inúmeros processos ao redor do Brasil por envolvimento com a empresa de criptomoedas 18K Ronaldinho Comércio e Participações LTDA.

A empresa é investigada por formação de esquema de pirâmide.

Em 2023, Ronaldinho depôs à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) das Pirâmides Financeiras na Câmara dos Deputados. Na ocasião, o ex-atleta explicou a participação na empresa e negou ser sócio ou fundador.

“Eu nunca fui sócio da empresa 18k Ronaldinho Comércio e Participações Ltda. Os sócios de tal empresa são os senhores Raphael Horácio Nunes de Oliveira e Marcelo Lara Marcelino. Eles utilizaram indevidamente meu nome para criar a razão social dessa empresa”, disse o ex-jogador à CPI.

A empresa utilizava o nome e a imagem de Ronaldinho para atrair investidores em criptomoedas comercializadas pela 18K. Eram prometidos aos clientes rendimentos de até 2% ao dia e até 400% em menos de um ano em operações com moedas digitais – conforme aponta petição inicial do processo que tramita em Belo Horizonte.

A empresa oferecia planos (“packs”) de investimentos entre 30 e 12 mil dólares (entre R$163 e R$ 65 mil reais, na cotação atual).

O ex-jogador revelou que, em 2016, celebrou um contrato com a empresa estadunidense 18K Watch Corporation, para a criação de uma linha de relógio com a imagem dele.

Em julho de 2019, Ronaldinho assinou um novo contrato com a 18K Watch Comércio Atacadista e Varejista de Negócios, que autorizava o uso da imagem do ex-atleta para outros produtos além do relógio. No entanto, o vínculo foi rescindido em outubro do mesmo ano.

Segundo o próprio Ronaldinho, em 2020, chegou ao conhecimento de Assis que a imagem do ex-jogador era utilizada, de maneira indevida, pela 18K Ronaldinho Comércio e Participações LTDA – responsável por realizar negociações de criptomoedas.

Vítima relata danos

reportagem  entrou em contato com uma vítima da empresa de compra e venda de bitcoins. A fonte, que preferiu não se identificar, revelou detalhes de como foi toda a operação junto à 18K Ronaldinho.

“Um conhecido que trabalhava com marketing multinível me apresentou e, por ter trabalhado há anos na Hinode, onde mostrou uma empresa que existia há anos e que acreditava que a 18k Ronaldinho poderia ser uma grande oportunidade, pois além de tudo tinha o Ronaldinho como um dos donos, e nos vídeos o próprio Ronaldinho dizia para todos ajudarem a empresa a crescer, que era uma oportunidade para todos”, iniciou.

“A grande motivação era ter ganhos em criptomoedas onde eles se mostravam em operações, e, nesse momento, havia muitas pessoas querendo conhecer sobre o tema, além de receber parte do valor aportado em relógios e poder comercializá-los”, continuou.

“O conjunto de relógio + o retorno prometido pelo investimento no bitcoin atrelado ao Ronaldinho, de quem sempre fui fã, foi a motivação”, finalizou.

Itatiaia 

Parceiros do Rede Repórter