“É muita dor, que é só Deus para amenizar. A gente não entende como é que pode acontecer algo que ainda não acreditamos”. A fé é o principal instrumento que os pais do cabo da Polícia Militar (PMMG) Vinícius de Castro Lima, de 37 anos — morto ao intervir em um assalto no bairro Tirol, na região do Barreiro — estão se apegando para superar a perda do filho. Familiares e amigos se reuniram durante a missa de sétimo dia do militar, celebrada no Santuário São Paulo da Cruz, também no Barreiro, na noite desta segunda-feira (27/10).
“Um pai enterrar um filho tão saudável, tão jovem, tão feliz”. Esse é o sentimento de José Vieira de Lima, de 72 anos. O pai do cabo Vinícius afirmou que a partida do filho veio de uma forma muito precoce, e o descreveu como uma pessoa cuidadosa e alegre.
“A hora dele chegou, apesar de muito precoce. O Vinícius era muito bom, cuidadoso com todo mundo, sempre morou com a gente. É muito triste e muito doído, então a gente tem que se apegar em Deus mesmo e lembrar dele com as suas alegrias e com seu sorriso. Ele era o nosso braço direito, tanto para mim quanto para a mãe dele. Mas é isso. Deus vai nos confortar e agora meu filho está em um bom lugar”, relatou João.

‘Estamos em pedaços’
A mãe do Cabo Vinícius, Sandra Gomes, de 66 anos, contou que o militar era seu ‘porto seguro’ e o considerava como a ‘alegria da casa’. “Toda vida foi um filho muito brincalhão e muito prestativo. Sempre se preocupava comigo, com o pai e com o irmão dele que mora em Nova Iorque. Ele era o nosso porto seguro. Onde tinha que ir, o que precisava fazer, ele sempre estava ali. Era a alegria da casa. Estamos em pedaços’, lamentou Sandra.
O cabo da Polícia Militar Vinícius de Castro Lima, de 37 anos, foi assassinado a tiros na tarde de terça-feira (21/10), ao tentar impedir um assalto a uma concessionária de veículos no bairro Tirol, região do Barreiro, em Belo Horizonte.
O militar, que estava de folga, havia acabado de almoçar com amigos e era amigo do dono do estabelecimento. Ao perceber a movimentação criminosa, ele se aproximou da loja e acabou sendo atingido por nove disparos, cinco deles na cabeça.
Como o assalto aconteceu
Segundo o Ministério Público, Jefferson Anísio da Silva, de 27 anos, foi até a concessionária fingindo interesse em financiar um carro. Depois de simular a compra e sair do local, ele retornou na garupa de uma motocicleta furtada, pilotada por um comparsa.
Armado, Jefferson anunciou o assalto e mandou que clientes e funcionários se deitassem no chão, recolhendo celulares, joias e outros pertences. Durante a ação, o cabo Vinícius chegou ao local e foi alvo de vários disparos. O Ministério Público classificou o crime como de “extrema crueldade”.
A prisão dos suspeitos
Horas após o crime, Jefferson foi preso na BR-381, enquanto tentava fugir. A motocicleta usada no assalto foi encontrada na casa da namorada dele, junto com o capacete e as botas usados durante a ação. O comparsa, que pilotava a moto, morreu em confronto com a PM no dia seguinte, em Contagem.
Histórico criminal
De acordo com a Justiça e o Ministério Público, Jefferson é reincidente e acumula várias condenações por roubo, corrupção de menores, homicídio qualificado e uso de documento falso. Ele estava foragido do sistema prisional desde março de 2025, quando havia cumprido apenas 27% da pena anterior.
Na audiência de custódia, o juiz Leonardo Vieira Rocha Damasceno destacou o passado criminal e descreveu os disparos que atingiram o policial como resultado de uma “fúria homicida”.
O Tempo




