“Desde o diagnóstico do meu filho, eu precisei deixar de trabalhar. Vivo para cuidar dele e até esqueço de mim. Ele não faz nenhuma função sem mim e, por não falar, puxa meu cabelo ou dá beliscões quando quer algo. Me sinto sobrecarregada e foi por esse motivo que comecei a buscar ajuda nas redes”, conta Patrícia Fonseca, de 46 anos, sobre a rotina com Fabio, seu filho de 13 anos que tem autismo.
Antes de se tornar mãe, a dona de casa já tinha dois filhos, Thales (27) e Alam, que morreu aos 9 meses, nascidos da relação entre ela e genitores que nunca se fizeram presentes como figuras paternas. Nas duas vezes em que se casou, ela foi abandonada com as crianças e teve que lidar sozinha com a maternidade e a perda inesperada do filho do meio, em decorrência de problemas de saúde.
Desolada, Patrícia conheceu seu terceiro marido, o genitor de Fábio, que esteve ao lado dela até o diagnóstico de autismo da criança aos dois anos: “Eu não tinha ninguém da minha família, estava sozinha. Quando Fabinho nasceu, ele me ajudava muito e cuidava de mim, mas mudou completamente depois do diagnóstico, deixou de cuidar de nós e teve problemas com o álcool. Decidimos nos separar e hoje ele ajuda com pouco dinheiro e vem ver o Fabinho só quando quer, sem uma frequência definida. Enquanto isso, eu fico exausta.”
Foi em meio à essa realidade que Patrícia decidiu tentar mudar de vida e começou a produzir conteúdo. E deu certo: ela viralizou ao mostrar a forma como transporta o filho pela cidade de Campina Grande (PB). Com ajuda de um carrinho de mão improvisado, leva Fábio à escola, ao centro e a consultas médicas. Sem carro, essa foi a maneira encontrada por ela de evitar que o menino escape e se machuque em decorrência do estresse que as saídas de casa causam. O método chamou atenção de milhares de pessoas que têm oferecido ajuda à família através de doações.
Patrícia ainda sonha com um veículo motorizado, como uma moto ou triciclo, pois seu corpo passou a se cansar com mais facilidade: “Antes, eu conseguia levá-lo nos braços. Depois de grande, mesmo com a carroça, minhas costas machucam porque ele ficou muito pesado e além de tudo, vez ou outra, fica estressado e agressivo”.
Mesmo depois da repercussão nas redes sociais, ela aponta que ainda falta muita estrutura e, principalmente, a chance de ser vista na sociedade, para ter uma vida melhor: “Temos uma vakinha online, graças às pessoas da internet. Já na ‘vida real’, não tenho com quem eu possa contar, só deixam Fábio ficar na escola enquanto ele não está agitado – a direção me liga assim que o comportamento muda – e por inúmeras vezes, passei com a carroça na frente de vereadores da cidade que fingem não nos ver”.

Em busca de ajuda
Os recursos para que Fabio se desenvolva de uma forma adequada e saudável não terminam na aquisição de um método de transporte mais confortável e seguro. Patrícia destaca a falta de cuidado com pessoas que exercem o papel de cuidadores, por vezes invisibilizado. Pela própria perspectiva, ela enxerga a função como um desgaste também mental.
“Também preciso de ajuda, meu desejo era ter acompanhamento de uma psicóloga. Nunca superei minha separação e me vejo muito triste. Gostaria de ter tempo para mim, para ir ao médico ou apenas caminhar e respirar um pouco. Eu não tenho suporte algum e isso me abala.”
Na vakinha mencionada, Patrícia arrecadou até agora cerca de R$ 4 mil, o que não chega à metade da meta que estipulou de R$ 15 mil. Apesar disso, ser vista por milhares de pessoas deu mais confiança à mãe, que pela primeira vez se sentiu amparada por outras pessoas: “Há mães que conversam comigo e me deixam mais aliviada. Vamos nos conectando através de nossos desabafos e, graças a Deus, me sinto ouvida por elas”.




