Os pais do menino de 2 anos que morreu ao ser baleado na cabeça nessa quinta-feira (16/4) são suspeitos de integrarem uma facção criminosa no bairro Cabana, na região Oeste de Belo Horizonte. A criança deu entrada no Hospital João XXIII, com uma perfuração na altura da testa, conforme apurou a reportagem. O pai do menino fugiu depois de deixá-lo em uma base da EPR Via Mineira na BR-040, em Nova Lima, na região metropolitana.
Segundo o registro policial, após a morte, os policiais estiveram no bairro Balneário Água Limpa, em Nova Lima, onde os disparos teriam acontecido. No endereço, os militares entraram em contato com o caseiro da casa em que a família mora. O homem contou que pela manhã recebeu uma ligação do pai da criança pedindo que ele fosse buscá-lo na BR-040, alegando que os pneus do carro em que estava furou e ele precisava ir a BH.
O caseiro relatou, ainda, que ao chegar no local encontrou o empregador chorando muito e dizendo que uma “tragédia” havia acontecido. Ao ser questionado sobre o paradeiro do pai do menino, a testemunha apresentou duas versões: a primeira, que o deixou na rodovia; e a segunda que familiares o haviam buscado e levado para a capital.
Ainda conforme o relato, o homem contou que conhece o casal há um ano, desde que trabalhou de pedreiro na construção da casa. Ele afirmou que recebe R$ 1.500 para fazer trabalhos de jardinagem e cuidar dos cachorros da família. Além disso, relatou que a casa não é a residência permanente da família, que mora no bairro Cabana.
No imóvel os policiais encontraram uma pistola semiautomática calibre 9mm, de uso restrito; um carregador e cinco munições do mesmo calibre; dois aparelhos celulares; uma máquina de contagem de cédulas; uma balanã de precisão; vários microtubos plásticos; e três caseiros com anotações de valores. Segundo a Polícia Militar, os materiais apreendidos indicam suposta prática de tráfico de drogas.
De acordo com a PMMG, o pai e a mãe da criança possuem passagem por tráfico de drogas. Os dois também estariam ligados ao grupo criminoso “CTA”, ou “Comando Terrorista da Alkimin”, que atua no bairro em que moram.

Relembre o caso
O menino deu entrada no Hospital João XXIII, por volta das 10h dessa quinta-feira (16/4). Conforme as primeiras informações da Polícia Militar, o fato se deu por volta de 9h. Os pais do menino procuraram a base da EPR Via Mineira na BR-040, em Nova Lima, e comunicaram sobre o ferimento da criança. A ambulância da concessionária levou a vítima para o hospital da capital mineira.
Durante o trajeto de socorro, a Polícia Militar foi informada sobre a ocorrência. A mãe da criança informou que o filho brincava em casa quando achou um revólver e fez o disparo. O pai da vítima levou a mãe e o filho até a base da concessionária em um carro, saiu do local e, conforme o registro policial, voltou em outro veículo. A mulher está grávida de 8 meses. Na unidade de saúde, a criança foi recebida em estado gravíssimo e teve o óbito constatado pouco tempo depois.
Em nota, a Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) informou que instaurou inquérito para apurar as circunstâncias da morte da criança. Segundo a corporação, o corpo foi encaminhado ao Instituto Médico Legal, em BH, onde passou por exames e liberado à família.
“A perícia oficial deslocou à cena do crime, onde coletou vestígios e informações que irão subsidiar as investigações, sendo apreendidos uma arma, supostamente utilizada no crime, munições, celulares e outros materiais que serão submetidos a exames periciais. A PCMG esclarece que as diligências seguem a cargo da Delegacia de Polícia Civil em Itabirito para a completa elucidação do caso e, até o momento, não houve prisão de supostos envolvidos”.
O Tempo





