Um professor de dança de uma escola municipal da Região de Venda Nova, em Belo Horizonte, foi preso em flagrante na noite deste domingo (24). Ele é suspeito de enviar fotos íntimas de cunho sexual e mensagens de assédio para um aluno de apenas 13 anos. O homem foi detido pela Polícia Militar com a ajuda da mãe do adolescente, que descobriu o crime e se passou pelo filho em um aplicativo de mensagens.
Em entrevista exclusiva à reportagem , que teve acesso ao conteúdo das mensagens, a mãe relatou que o sinal de alerta acendeu na última sexta-feira (22). O filho havia comentado que não queria participar do ensaio da festa junina, mas que o professor estava insistindo e havia prometido uma caixa de bombons caso ele dançasse. A escola faz parte do programa Escola Integrada e oferece disciplinas que vão além da grade curricular, como a dança.
Ainda na sexta, o professor enviou mensagens no WhatsApp do menor oferecendo roupas para o evento e, em seguida, mudou o tom da conversa com insinuações sexuais. Desconfiada, a mãe assumiu o aparelho sem que o professor percebesse. Nas conversas, o suspeito mostra a genitália para o menor por meio de vídeos e fotos.
“A partir dali, já era eu quem estava respondendo. Ele perguntou se o telefone do meu filho tinha senha e disse: ‘A partir de agora, você vai ter que confiar em mim e o que a gente conversar aqui vai ficar só entre mim e você’. Depois, começou a dizer palavras obscenas, afirmou ter visto meu filho com o órgão genital ereto na escola e enviou fotos dele nu, de frente e de costas”, desabafou a mãe.
Nas mensagens enviadas ao longo do fim de semana, o professor fez propostas explícitas de atos sexuais e tentou convencer o adolescente a mentir para a família para encontrá-lo escondido. Após registrar um Boletim de Ocorrência na própria sexta-feira, a mãe decidiu manter a “frieza” neste domingo para conseguir atrair o suspeito e garantir a prisão.
Fingindo ser o adolescente, ela afirmou que estava sozinha em casa e aceitou marcar um encontro em uma padaria da região. Durante a armação do esquema, o professor pediu um carro de aplicativo e chegou a orientar a vítima a chamá-lo de “tio” caso o motorista perguntasse algo.
O homem solicitou um veículo para buscar o jovem, mas não foi junto. Um policial militar disfarçado entrou no carro solicitado, enquanto a mãe acompanhou a ação em outra viatura com demais agentes. O professor foi preso em flagrante no endereço de destino, onde aguardava a chegada do adolescente.

Trauma e revolta
O jovem de 13 anos está profundamente abalado e, segundo a família, apresenta febre alta emocional e recusa-se a comer desde que o caso veio à tona. O adolescente também revelou que o professor costumava dar bombons apenas para ele ao final das aulas de dança, pedindo segredo.
O investigado atuava na instituição de ensino municipal há cerca de quatro meses e dava aulas para diversas turmas, incluindo crianças de outras faixas etárias — entre elas, uma irmã da vítima, de 9 anos.
“Eu estou tremendo porque é muito revoltante. Se eu não fosse uma mãe que tem acesso ao telefone do meu filho, o pior poderia ter acontecido. Ele poderia ter estuprado o meu filho ou algo muito pior”, concluiu a mãe, sob forte emoção.
O suspeito foi encaminhado à Delegacia de Polícia Civil, onde o caso será investigado pelas autoridades.
A reportagem entrou em contato com a Prefeitura de BH e aguarda retorno.
Defesa do suspeito
A defesa do suspeito emitiu uma nota ainda nesta noite (24). “A defesa vem a público esclarecer que os fatos narrados até o presente momento não condizem com a realidade dos acontecimentos. No decorrer da investigação, o Sr. apresentará sua versão dos fatos, demonstrando a verdade real acerca do ocorrido. A defesa reafirma sua confiança no devido processo legal, no contraditório e na ampla defesa, aguardando que os esclarecimentos necessários sejam devidamente apurados pelas autoridades competentes”.
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