A Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) prendeu, nesta sexta-feira (12/6), em Belo Horizonte, um pai de santo de 46 anos suspeito de cometer crimes sexuais contra adolescentes que frequentavam um centro de umbanda no bairro Lagoa, na região de Venda Nova. Segundo a investigação, o líder religioso se aproveitava da posição que ocupava dentro da instituição para se aproximar de jovens em situação de vulnerabilidade emocional e praticar abusos durante supostos atendimentos espirituais.
O caso chegou à Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente (Depca) da região Noroeste na última terça-feira (9/6). Em três dias, policiais ouviram testemunhas e frequentadores do centro religioso. Segundo o delegado Rodolfo Rabelo, responsável pelo inquérito, entre as vítimas estariam adolescentes com histórico de violência sexual, depressão ou baixa autoestima. “Ele se aproveitava da fragilidade e da vulnerabilidade delas”, afirmou.
A investigação aponta que o homem utilizava argumentos ligados à espiritualidade para conquistar a confiança das vítimas. De acordo com os depoimentos colhidos, ele dizia que algumas jovens possuíam uma “energia espiritual forte” ou que precisavam de tratamentos espirituais específicos para “serem curadas”.
A prisão preventiva foi cumprida na casa do investigado, no bairro Castelo. Também foram apreendidos um celular, notebook, pen drives e documentos que serão analisados pela polícia. Até o momento, oito possíveis vítimas foram identificadas, mas a linha investigativa não descarta que o número seja maior, já que o pai de santo atuava há mais de 10 anos no local. Os relatos reunidos pela PCMG envolvem adolescentes que tinham entre 15 e 17 anos quando os fatos teriam ocorrido.

Medo e silêncio
Um dos aspectos que mais chamaram a atenção dos investigadores foi o receio relatado pelas vítimas. Segundo a Polícia Civil, o suspeito mantinha a imagem de uma pessoa com “grande poder espiritual” dentro da comunidade religiosa. Esse cenário, de acordo com os depoimentos, teria contribuído para que muitas adolescentes demorassem anos para relatar os abusos.
“Todas as vítimas tinham muito temor dele, porque ele era conhecido como uma pessoa espiritualmente muito poderosa”, disse Rabelo. “Apesar de transparecer uma pessoa forte no local, ele era um homem debilitado. Ele tinha depressão, hipoglicemia e tomava medicamentos”, complementou.
Ainda conforme a PCMG, os relatos indicam que os abusos aconteciam durante atividades religiosas e atendimentos espirituais. As vítimas também afirmaram que o investigado mantinha contato frequente por mensagens, principalmente durante a madrugada. “Ele não fazia contato durante o dia, era sempre à noite. Mandava mensagem três da manhã, fotos íntimas quatro da manhã”, acrescentou o delegado.
O homem é investigado por violência sexual mediante fraude e por possível estupro de vulnerável. Como o inquérito ainda está em andamento, os enquadramentos poderão ser alterados conforme o avanço das apurações.
Assinaturas levantaram suspeitas
Outro ponto que chamou a atenção da polícia foi a descoberta de documentos relacionados a uma suposta tentativa de blindagem do suspeito. Durante o cumprimento do mandado de busca e apreensão na casa dele, os agentes encontraram anotações e documentos relacionados a frequentadores do centro religioso.
De acordo com Rabelo, o investigado teria começado a procurar integrantes da instituição após perceber que algumas vítimas cogitavam denunciar os crimes. A intenção, conforme a apuração, seria obter assinaturas em declarações afirmando que ele nunca havia cometido abusos sexuais.
“Ele estava colhendo assinaturas das vítimas, dizendo que não cometeu nenhum tipo de abuso sexual. Ele queria registrar em cartório documentos afirmando que nunca tinha abusado de ninguém”, explicou o delegado.
Ainda de acordo com a Polícia Civil, o suspeito teria elaborado uma lista de pessoas que pretendia procurar para obter as declarações. Nenhuma das vítimas identificadas pela investigação chegou a assinar os documentos antes da prisão, no entanto.
O Tempo





