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• Vereador tem mandato cassado por esquema de compra de votos com uso de “óculos-espião” no Pará

O Tribunal Regional Eleitoral do Pará (TRE-PA) manteve a cassação do mandato do vereador reeleito Edivaldo Borges Gomes, conhecido como “Irmão Edivaldo”, acusado de comandar um esquema de compra de votos com a utilização de “óculos-espião” durante as eleições municipais de 2024, em Ourilândia do Norte, no sudeste do Pará. A decisão foi unânime e confirmou a sentença da 74ª Zona Eleitoral de Tucumã.

Segundo o Ministério Público Eleitoral, o esquema consistia no pagamento de eleitores para votarem no candidato. Para comprovar o voto e garantir o recebimento do dinheiro, os eleitores eram orientados a utilizar óculos equipados com microcâmeras capazes de gravar o momento da votação dentro da cabine eleitoral.

As investigações começaram ainda no dia da eleição, após uma mesária desconfiar do equipamento utilizado por uma adolescente durante a votação. O caso foi comunicado à Justiça Eleitoral e ao Ministério Público, que apreenderam o dispositivo e deram início às apurações.

De acordo com as investigações, o esquema envolvia o vereador e familiares ligados à campanha eleitoral, responsáveis pela captação de eleitores e pela distribuição de dinheiro em troca dos votos. Testemunhas relataram ter recebido até R$ 200 para votar no candidato e afirmaram que precisavam gravar a votação para comprovar o cumprimento do acordo.

Entre as provas reunidas pelo Ministério Público Eleitoral estão depoimentos de testemunhas, vídeos gravados no interior das cabines eleitorais, apreensão dos óculos com câmera embutida, dinheiro em espécie e materiais de campanha com códigos de controle.

Com a manutenção da cassação, a Justiça Eleitoral determinou a anulação dos votos recebidos por Irmão Edivaldo e a recontagem dos votos válidos para redefinir a composição da Câmara Municipal de Ourilândia do Norte. Além da perda do mandato, o vereador e os demais envolvidos foram declarados inelegíveis por oito anos. O processo criminal decorrente das investigações segue em tramitação.

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