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• Mais etanol na gasolina levanta dúvidas sobre o real rendimento dos carros

A decisão do governo federal de ampliar a mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina voltou a provocar debates entre consumidores, especialistas e fabricantes de veículos. Embora o aumento do percentual de etanol seja defendido como uma medida para reduzir emissões de poluentes, fortalecer a produção nacional e diminuir a dependência de combustíveis fósseis, muitos motoristas questionam qual será o impacto real no consumo e no desempenho dos veículos.

O principal receio está relacionado ao rendimento. Isso porque o etanol possui menor densidade energética em comparação à gasolina, o que significa que, em termos práticos, tende a gerar menos quilômetros rodados por litro consumido. Especialistas apontam que, quanto maior a proporção de etanol na mistura, maior pode ser a redução da autonomia dos veículos, embora o efeito varie conforme o modelo, a tecnologia do motor e as condições de uso.

Nos carros flex mais modernos, desenvolvidos para operar com diferentes proporções de etanol e gasolina, o impacto tende a ser menor devido aos avanços na gestão eletrônica e na eficiência dos motores. Já em veículos mais antigos, a percepção de aumento no consumo pode ser mais significativa.

Outro ponto levantado pelos consumidores é a relação entre preço e economia. Tradicionalmente, o etanol só compensa financeiramente quando custa até 70% do valor da gasolina, embora alguns modelos mais modernos consigam apresentar bom desempenho com percentuais um pouco superiores. Em 2026, a paridade média nacional entre os dois combustíveis tem se mantido acima desse patamar em boa parte dos estados brasileiros, reduzindo a vantagem econômica do biocombustível para muitos motoristas.

Especialistas do setor automotivo destacam, porém, que a ampliação da mistura não deve causar danos mecânicos aos veículos fabricados para o mercado brasileiro, uma vez que a indústria nacional desenvolveu, ao longo das últimas décadas, motores preparados para operar com elevados percentuais de etanol. Ainda assim, recomendam que proprietários de veículos mais antigos ou importados consultem as orientações dos fabricantes.

A discussão sobre a nova composição da gasolina evidencia um dilema recorrente para os consumidores: equilibrar sustentabilidade, segurança energética e custo-benefício. Enquanto o governo e o setor sucroenergético defendem a medida como estratégica para a economia brasileira, motoristas seguem atentos ao que consideram mais importante no dia a dia: quantos quilômetros o carro conseguirá rodar com cada litro abastecido.

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