Uma revisão científica publicada em maio na revista Antioxidants destaca o potencial nutricional e funcional de 19 frutos nativos do Brasil. O trabalho foi realizado por pesquisadores da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP) e da Universidade Autônoma do Chile.
A análise reuniu estudos sobre as propriedades antioxidantes e anti-inflamatórias dessas frutas, muitas delas ainda pouco conhecidas ou consumidas fora de suas regiões de origem.
Entre os frutos analisados estão açaí, jabuticaba, cupuaçu, jenipapo, guaraná, macaúba, cambuci, pitanga, grumixama, cereja-do-rio-grande e goiabão.
Segundo os pesquisadores, jabuticaba, guaraná, cambuci e açaí se destacam pela quantidade de estudos que apontam possíveis efeitos neuroprotetores e relação com a prevenção ou controle de alterações associadas à síndrome metabólica, como glicemia elevada, alterações no colesterol e triglicérides, hipertensão e acúmulo de gordura abdominal.

Outro destaque está nos compostos fenólicos encontrados em diversas espécies. Essas substâncias vêm sendo estudadas por sua relação com a microbiota intestinal. Segundo especialistas citados na pesquisa, alguns desses compostos podem favorecer o crescimento de bactérias consideradas benéficas para o organismo.
A relação com a saúde cardiovascular também é investigada. Os polifenóis, grupo que reúne diferentes compostos bioativos, têm sido associados à proteção do endotélio, camada que reveste internamente os vasos sanguíneos, e ao controle da pressão arterial.
Apesar dos resultados promissores, os pesquisadores ressaltam que ainda são necessários mais estudos clínicos em seres humanos. Também é preciso compreender melhor quanto dos compostos presentes nessas frutas é efetivamente absorvido pelo organismo e como eles atuam após o consumo.
A pesquisa reforça, ainda, o potencial da biodiversidade brasileira como fonte de alimentos com propriedades nutricionais e funcionais, além de chamar atenção para espécies que ainda têm pouca presença na alimentação cotidiana.






