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• Primeiro porco clonado no Brasil morre e será preservado em museu da USP

O primeiro porco clonado no Brasil morreu no fim de julho, após participar de uma pesquisa da Universidade de São Paulo (USP) voltada ao desenvolvimento de técnicas para futuros transplantes de órgãos de animais para seres humanos.

O animal nasceu em abril deste ano, em Piracicaba, no interior de São Paulo, e permaneceu sob acompanhamento dos pesquisadores durante quase quatro meses. Segundo Ernesto Goulart, professor do Instituto de Biociências da USP e responsável pelo projeto, o suíno era saudável e cumpriu os objetivos estabelecidos para essa etapa da pesquisa.

A eutanásia já estava prevista no protocolo científico, mas acabou sendo antecipada em aproximadamente dois meses devido à falta de recursos financeiros para a manutenção do projeto.

Após a morte, o animal será submetido à taxidermia, processo utilizado para preservar exemplares de animais. A intenção dos pesquisadores é que o porco seja posteriormente exposto no Museu de Zoologia da USP, em São Paulo, como registro de um marco da pesquisa científica brasileira.

O projeto faz parte dos estudos sobre xenotransplante, área da ciência que busca viabilizar o uso de órgãos de animais em seres humanos. Os porcos são considerados importantes para essas pesquisas por apresentarem características anatômicas e fisiológicas semelhantes às dos humanos.

A pesquisa brasileira pretende avançar para a produção de porcos geneticamente modificados, com alterações que possam reduzir o risco de rejeição dos órgãos pelo organismo humano. Entre os órgãos inicialmente estudados estão rins, córneas, coração e pele.

A equipe também conseguiu produzir um segundo porco clonado, mas o animal morreu um dia após o nascimento. Segundo os pesquisadores, esse tipo de ocorrência faz parte dos desafios técnicos envolvidos na clonagem de suínos.

O projeto enfrenta dificuldades financeiras. De acordo com o Ministério da Saúde, foram aprovados R$ 11,6 milhões para a pesquisa, dos quais R$ 6,15 milhões já haviam sido liberados. A continuidade dos trabalhos depende da liberação de novos recursos e do cumprimento das etapas previstas.

Apesar da morte do primeiro animal, os pesquisadores consideram o nascimento e o acompanhamento do suíno um avanço importante para o desenvolvimento da pesquisa brasileira em xenotransplantes.

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