A saúde pública foi o tema da primeira reunião temática da transição entre o governo de Minas Gerais e a equipe do governador eleito Cleitinho Azevedo (Republicanos). O encontro ocorreu nesta sexta-feira (23), com a participação do governador Mateus Simões (PSD), e tratou dos investimentos estaduais, dos desafios financeiros da Secretaria de Estado de Saúde e das ações previstas para os próximos anos.
Entre os assuntos discutidos estão a situação dos hospitais regionais, a contratação de profissionais, a continuidade de programas e os compromissos que precisarão ser acompanhados pela próxima administração. A reunião também integra o processo de transferência de informações entre o governo atual e a equipe que assumirá o Executivo estadual em janeiro de 2027.
Déficit projetado para 2027 chega a R$ 10,51 bilhões
A situação financeira do Estado representa um dos principais desafios para a futura gestão. Em 14 de outubro, Mateus Simões encaminhou à Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) uma revisão do projeto da Lei Orçamentária Anual (LOA), elevando a previsão de déficit para 2027 de R$ 8,87 bilhões para R$ 10,51 bilhões.
A discussão específica sobre o déficit estadual ficou para outra reunião da transição. O vice-governador eleito, Luís Eduardo Falcão (Republicanos), defendeu a necessidade de uma reforma administrativa, redução de despesas e atração de investimentos.
Na área da saúde, os dados apresentados apontam que os gastos pagos pelo Estado chegaram a R$ 11,8 bilhões em 2025, contra R$ 4,6 bilhões em 2014.
Concursos e hospitais regionais estão entre as prioridades
A Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG) informou ter 21.685 trabalhadores, dos quais 85,2% são efetivos. O órgão abriu 380 vagas em seu primeiro concurso público em 12 anos e já havia nomeado 167 aprovados, com previsão de convocar outros 69 até dezembro.
Na Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig), o concurso teve 1.801 vagas imediatas e, segundo o balanço apresentado, foram realizadas 3.893 nomeações. A Hemominas registrou 543 nomeações para 345 vagas.
A transição também deverá acompanhar a continuidade das contratações e a situação dos vínculos temporários, além da avaliação sobre a prorrogação do concurso da Fhemig.
Outro ponto importante são as obras dos hospitais regionais. Segundo os dados apresentados pelo governo estadual, R$ 714 milhões foram executados em obras que abrangem Divinópolis, Sete Lagoas, Teófilo Otoni, Governador Valadares e Conselheiro Lafaiete.

Atendimento de urgência e saúde mental
O balanço apresentado na reunião também abordou a rede hospitalar e os serviços de urgência. A estrutura reúne 278 hospitais e registrou mais de 50 mil cirurgias de urgência, número 21% superior ao de 2018.
O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu 192) tem cobertura em todo o Estado, com previsão de R$ 530,9 milhões em recursos para 2026. O Serviço de Atendimento Aéreo de Urgência (SAAV), por sua vez, opera oito aeronaves em parceria com o Corpo de Bombeiros.
Na saúde mental, o governo informou que a rede de Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) passou de 301 unidades em 2018 para 465 em 2025. A próxima administração também terá de dar continuidade à política antimanicomial e ao processo de desinstitucionalização de pacientes.
Próximo governo terá prazos importantes em 2027
O levantamento apresentado durante a transição identificou compromissos que exigirão atenção nos primeiros meses da nova gestão.
Entre eles estão a recomposição das equipes da Fhemig, a contratação de núcleos do programa TeleMaisSaúdeMG e a preparação da Conferência Estadual de Saúde, prevista para abril de 2027.
Outro prazo envolve a decisão sobre a prorrogação do concurso da Fhemig, cujo edital de 2023 vence em 8 de março de 2027.
A equipe de transição deverá analisar os dados apresentados pelo governo atual para definir quais programas terão continuidade, quais poderão passar por ajustes e como serão enfrentados os desafios orçamentários e operacionais da saúde pública estadual.
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