O relatório final do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) apontou que condições meteorológicas adversas e decisões operacionais inadequadas contribuíram para a queda do helicóptero Arcanjo 04, do Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais (CBMMG), que matou seis pessoas em Ouro Preto, na região Central do estado, em 11 de outubro de 2024.
De acordo com a investigação, a aeronave decolou com visibilidade horizontal estimada em 180 metros, abaixo do mínimo exigido para a realização de voo visual. Cerca de 30 segundos após a decolagem, a tripulação perdeu as referências visuais do terreno.
Aproximadamente 56 segundos depois de deixar o solo, o helicóptero atingiu a Serra do Amolar. O acidente foi classificado como voo controlado contra o terreno, situação em que a aeronave colide com um obstáculo sem que a tripulação consiga identificar o perigo e evitar o impacto a tempo.
Investigação identificou outros fatores
Além das condições meteorológicas, o relatório apontou possíveis problemas relacionados à sobrecarga de trabalho, ao treinamento dos tripulantes e à gestão de riscos da unidade aérea.
Segundo o documento, os treinamentos priorizavam operações especializadas, como resgates, enquanto procedimentos básicos de aviação, incluindo decolagens e pousos, recebiam menos atenção.
A contribuição de fatores como fadiga e coordenação da tripulação, entretanto, foi considerada indeterminada pela investigação.

Seis pessoas morreram no acidente
O helicóptero participava das buscas por um avião monomotor que havia caído horas antes na região de Ouro Preto.
Morreram os quatro militares do Corpo de Bombeiros que estavam a bordo: o capitão Wilker Tadeu Alves da Silva, o primeiro-tenente Victor Stehling Schirmer, o segundo-sargento Welerson Gonçalves Filgueiros e o terceiro-sargento Gabriel Ferreira Lima e Silva.
Também morreram o médico Marcos Rodrigo Marques Trindade e o enfermeiro Bruno Sudário França, integrantes do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu).
Os destroços e os corpos das vítimas foram localizados após aproximadamente 12 horas de buscas.
Relatório recomenda reforço na segurança operacional
Após o acidente, o Corpo de Bombeiros suspendeu temporariamente as operações aéreas da unidade e adotou medidas como revisão das escalas de trabalho, reforço dos treinamentos e acompanhamento psicológico dos tripulantes.
O Cenipa também recomendou que a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) reforce, junto às unidades aéreas públicas, o cumprimento das regras de treinamento e a implementação de sistemas de gerenciamento da segurança operacional.
Fonte: Estado de Minas






