Seja bem vindo, hoje é 3 de novembro de 2026

Parceiros do Rede Repórter

• Vale obtém licença para planta em Mariana que poderá processar 21,8 milhões de toneladas por ano

A Vale obteve licença ambiental para implantar uma nova unidade de beneficiamento na mina Fazendão, em Mariana, Minas Gerais. O projeto prevê capacidade instalada para processar até 21,8 milhões de toneladas de minério de ferro por ano e produzir até 12,6 milhões de toneladas anuais de pellet feed, concentrado utilizado na fabricação de pelotas de minério de ferro.

A autorização foi aprovada no âmbito do Conselho Estadual de Política Ambiental (Copam), com decisão publicada em 26 de setembro de 2026. O empreendimento foi analisado pela Fundação Estadual do Meio Ambiente (Feam), no processo de licenciamento nº 34164/2025, na modalidade Licenciamento Ambiental Concomitante (LAC 1).

Em nota enviada ao Minera Minas, a Vale afirmou que a nova planta integra seu planejamento de longo prazo e que o empreendimento ainda está em desenvolvimento.

A companhia acrescentou que mantém seus planos de produção alinhados ao guidance já divulgado ao mercado.

Embora o licenciamento estabeleça uma capacidade industrial expressiva, a Vale não detalhou se a nova planta resultará em aumento líquido da produção comercial do Complexo Mariana ou se parte da capacidade estará relacionada à reorganização e à modernização das estruturas existentes.

A mineradora também não informou o investimento previsto nem o cronograma para o início das obras e da operação.

Nova planta poderá produzir 12,6 milhões de toneladas de pellet feed por ano

Conforme as informações do licenciamento ambiental, a Planta Industrial de Fazendão terá capacidade para processar 21,8 milhões de toneladas anuais de minério bruto, conhecido como ROM (run of mine). Após o beneficiamento, a unidade poderá produzir até 12,6 milhões de toneladas de pellet feed por ano.

A nova estrutura deverá permitir o processamento de minério com características diferentes das tratadas pela planta existente, incluindo materiais de menor teor de ferro.

O concentrado produzido deverá seguir pelo Terminal Ferroviário de Fazendão e pela Estrada de Ferro Vitória a Minas (EFVM) até o Porto de Tubarão, no Espírito Santo.

O empreendimento integra o planejamento industrial do Complexo Mariana, uma das principais regiões de produção de minério de ferro da Vale em Minas Gerais.

Obras poderão mobilizar até 3.858 trabalhadores

A documentação ambiental prevê 3.603 contratações durante a implantação da unidade. Nos períodos de maior atividade, o efetivo total poderá alcançar 3.786 trabalhadores na primeira etapa e 3.858 na segunda. Os números representam projeções para as obras, e não vagas já abertas. Na fase operacional, a previsão apresentada para a nova estrutura é de 597 postos de trabalho.

A área diretamente afetada pelo projeto é estimada em 89,42 hectares. Desse total, 6,40 hectares correspondem a intervenções em Áreas de Preservação Permanente (APP), sem supressão de vegetação nativa nessa parcela. O licenciamento também contempla o corte ou aproveitamento de 340 árvores nativas isoladas, incluindo exemplares de espécies protegidas.

Entre as intervenções previstas está ainda a canalização de aproximadamente 700 metros do córrego São Luís, associada à adequação da infraestrutura e do sistema de drenagem da região.

As intervenções deverão observar as condicionantes e as medidas de controle e compensação ambiental estabelecidas no processo de licenciamento.

Licença não significa início imediato da produção

Apesar da autorização ambiental, a Vale informou ao Minera Minas que o projeto continua nas etapas de estudos e engenharia necessárias à implantação.

A empresa não divulgou uma data para o início das obras ou para a entrada em operação da nova unidade. Também não esclareceu qual será a contribuição efetiva da planta para a produção futura do Complexo Mariana.

Ao informar que mantém seus planos de produção alinhados ao guidance divulgado ao mercado, a Vale sinaliza que o empreendimento deve ser considerado dentro de sua estratégia de longo prazo.

A capacidade instalada prevista no licenciamento, portanto, não deve ser interpretada como aumento equivalente e imediato da produção comercial da mineradora.

A definição do investimento total, do cronograma de implantação e da participação da nova planta na capacidade futura do Complexo Mariana permanece entre os principais pontos a acompanhar no avanço do projeto.

Informações: https://mineraminas.com.br

Por Marina Rigueira Jornalista 

Parceiros do Rede Repórter