Grupo espalhava cartazes com fotos de devedores e fazia ameaças de morte
Uma operação realizada pela Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) nesta quarta-feira (27) desarticulou uma organização criminosa especializada em agiotagem na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Segundo as investigações, o grupo utilizava métodos violentos e humilhantes para cobrar dívidas, incluindo ameaças, perseguições e exposição pública das vítimas.
De acordo com a polícia, os criminosos chegavam a espalhar cartazes com fotos dos devedores pelas ruas dos bairros onde moravam, além de obrigarem algumas vítimas a publicar vídeos nas redes sociais admitindo as dívidas. Em outros casos, houve pichações em muros com ameaças de morte e intimidações direcionadas também a familiares e amigos.
Os suspeitos cobravam juros abusivos, que variavam entre 6% e 20% ao dia. Mais de 340 pessoas já foram identificadas como vítimas do esquema.

Mulheres e comerciantes eram os principais alvos
Segundo o delegado Raphael Souza Boechat, responsável pela investigação, os criminosos focavam principalmente em mulheres solteiras e proprietários de pequenos comércios. O grupo divulgava os empréstimos ilegais por meio de cartões e panfletos distribuídos em estabelecimentos da região.
As ameaças aconteciam principalmente por aplicativos de mensagens. Os suspeitos monitoravam a rotina das vítimas, fotografavam residências e locais de trabalho e perseguiam os devedores em diferentes locais.
Investigação durou mais de um ano
Batizada de “Operação Capital Coativo”, a ação é resultado de uma investigação que durou cerca de um ano e meio. Ao todo, foram cumpridos 18 mandados de prisão e 131 mandados de busca e apreensão em cidades de Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro e Paraná.
Entre os presos estão brasileiros, colombianos e um venezuelano. A polícia informou que parte dos estrangeiros era trazida ao Brasil para atuar diretamente na cobrança das dívidas e no gerenciamento da atividade criminosa.
Durante a operação, foram apreendidos computadores, documentos, dinheiro em moeda estrangeira, armas de fogo, facas, tasers e até uma espada.
Polícia acredita que número de vítimas seja maior
Apesar das centenas de vítimas já identificadas, a Polícia Civil acredita que o total de pessoas prejudicadas pelo grupo pode ser ainda maior. Muitas vítimas deixaram de registrar ocorrência por medo das ameaças ou por vergonha da exposição pública.
Segundo a delegada Gislaine de Oliveira Rios Xavier, algumas pessoas chegaram a mudar de estado para fugir das intimidações. Em um dos casos investigados, criminosos tentaram abordar os filhos de uma vítima na escola como forma de pressão.
Os suspeitos devem responder por extorsão, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Caso sejam condenados, os estrangeiros envolvidos poderão ser extraditados para seus países de origem.
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