Dados do Censo 2022 mostram desigualdade na educação; presença de pessoas com deficiência no ensino superior quase triplicou entre 2014 e 2024
A taxa de analfabetismo entre pessoas com deficiência de 15 a 29 anos chegou a 12,2% em 2022, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O índice é 12 vezes maior que o registrado entre jovens da mesma faixa etária sem deficiência, de 1%. Os dados foram divulgados nesta sexta-feira (18).
A diferença também aparece de acordo com o tipo de deficiência. A maior taxa de analfabetismo foi registrada entre pessoas com dificuldades relacionadas às funções mentais, com 40,4%. Entre aquelas com mais de um tipo de deficiência, o índice chegou a 34%.
Mesmo entre pessoas com dificuldade para enxergar, grupo que apresentou a menor taxa entre os tipos analisados, o percentual foi de 3,5%, mais de três vezes superior ao registrado entre pessoas sem deficiência. As taxas foram de 10% entre aqueles com dificuldade para ouvir, 23,3% entre os que tinham dificuldade para caminhar ou subir escadas e 31,3% entre aqueles com dificuldade para pegar objetos pequenos.

Frequência escolar
Os dados também apontam diferença na frequência escolar. Entre crianças de 6 a 14 anos com deficiência, o índice era de 92,6%, contra 98,4% entre aquelas sem deficiência.
Na faixa de 15 a 17 anos, a frequência era de 79,5% entre pessoas com deficiência e de 85,4% entre as que não tinham deficiência.
Entre pessoas com deficiência profunda, os índices eram ainda menores: 82,3% para crianças de 6 a 14 anos e 65,6% para jovens de 15 a 17 anos.
Acessibilidade
Segundo o Censo Escolar 2025, 57% das escolas brasileiras tinham banheiro acessível, enquanto 30% possuíam salas de recursos multifuncionais e 26,2% contavam com profissional de apoio. Ao considerar a presença de pelo menos um desses recursos, o percentual chegava a 78,5%.
Na rede pública, 32,8% das escolas tinham profissionais de apoio, contra 4,6% na rede privada. Já as salas de recursos multifuncionais estavam presentes em 34,5% das escolas públicas e em 15,2% das particulares.
Mais estudantes no ensino superior
Apesar das desigualdades, houve crescimento da presença de pessoas com deficiência no ensino superior. Entre 2014 e 2024, o número de matrículas passou de 33.377 para 95.572, quase triplicando.
A participação desses estudantes no total de matrículas de graduação também aumentou, de 0,43% para 0,93%.
O crescimento foi impulsionado principalmente pelo ensino a distância. As matrículas de pessoas com deficiência em cursos presenciais passaram de 26.637 para 50.609, enquanto as de cursos a distância subiram de 6.740 para 44.963 no período.
Fonte: Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e Agência Brasil.






