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• Aposentado é inocentado após passar dois meses preso por engano

Um aposentado de 68 anos passou mais de dois meses preso injustamente no Rio Grande do Sul após ter o nome envolvido, por engano, em uma investigação contra uma quadrilha especializada em roubo de caminhões. Nesta semana, a Justiça reconheceu o erro e determinou o arquivamento do processo.

A vida de João Batista Fernandes mudou completamente em 11 de setembro do ano passado. Naquele dia, ele foi preso dentro da própria casa durante uma operação policial que tinha como alvo integrantes de uma organização criminosa.

Segundo a investigação, criminosos utilizaram a carteira de habilitação de João para tentar alugar um depósito. A partir dessa informação, o aposentado acabou sendo incluído no inquérito, apesar de não ter qualquer ligação com o grupo investigado.

O aposentado João Batista Fernandes disse que nunca perdeu esperança em sair da prisão.

“Todos os dias eu tinha esperança. No fim do dia, ela acabava. No outro dia, eu voltava a acreditar que iria sair. Mas não saía”.

João ficou dez dias no Centro de Triagem antes de ser transferido para a Cadeia Pública de Porto Alegre. Durante o período em que esteve preso, chegou a desenvolver uma infecção pulmonar.

Do lado de fora, a família enfrentava uma rotina marcada pela angústia e pela busca de provas que demonstrassem a inocência dele.

“Foi muito angustiante. Eu não consegui trabalhar, não consegui dormir. A gente fez de tudo para tirar ele de lá”, disse a aposentada Silvia Maria Fernandes.

Na última quarta-feira (3), após mais de oito meses de prisão, a Justiça arquivou o processo e reconheceu que João não tinha participação nos crimes investigados.

Apesar da liberdade, ele afirma que ainda convive com as consequências emocionais da prisão.

“É uma cicatriz invisível, que ninguém vê, mas a gente sente. Às vezes, quando vejo uma viatura ou ouço uma sirene, entro em pânico. Ainda acontece.”

A família pretende ingressar com uma ação de indenização contra o Estado.

“O erro envolveu todas as etapas do processo: desde a investigação, que não aprofundou a apuração, passando pelo Ministério Público, até a decisão judicial que autorizou a prisão preventiva”, afirmou o advogado Adriano Oliveira.

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