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• Decisão de família de Alice, morta em acidente, salva vidas: MG tem um transplante a cada 10 horas

Ao autorizar a doação de órgãos, a família da repórter Alice Ribeiro, de 35 anos, salva vidas e chama atenção para a realidade de Minas Gerais, onde a demanda por um transplante supera a oferta. A jornalista teve a morte encefálica confirmada nessa quinta-feira (16/4), após ser vítima de um acidente na BR-381, na altura de Santa Luzia, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. O cinegrafista e motorista Rodrigo Lapa, de 49 anos, morreu no local.

Até esta sexta-feira (17/4), Minas Gerais registra 256 transplantes de órgãos em 2026, o que representa uma média de um procedimento a cada 10 horas, conforme dados do Ministério da Saúde. Apesar disso, 4.454 pessoas ainda aguardam na fila de espera Segundo a Band Minas, serão doados rins, fígado, pâncreas e córneas. O coração não poderá ser transplantado por inviabilidade clínica.

Os órgãos autorizados para doação estão entre os mais demandados no estado. A maior fila é por transplante de rim, com 4.221 pacientes. Em seguida aparecem fígado (121), pâncreas/rim (70), coração (34), pulmão (4) e pâncreas (4). Em 2025, Minas Gerais registrou 985 transplantes de órgãos, número que ainda não é suficiente para atender toda a demanda.

Durante audiência da Comissão de Saúde da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), nessa quinta-feira (16/4/), o diretor do MG Transplantes, Omar Cançado, detalhou outros gargalos do sistema. Segundo ele, cerca de 4.700 pessoas aguardam por um transplante de córnea no Estado, com tempo de espera que pode ultrapassar três anos. No Brasil, a fila chega a 35.801 pacientes.

Cançado explicou que Minas é dividida em sete regiões para doação, como forma de organizar a logística em um território amplo. Ainda assim, a Região Metropolitana concentra grande parte da demanda, já que muitos pacientes se deslocam para realizar o procedimento.

“Estamos tentando abrir mais bancos privados, pois eles conseguem ter mais agilidade. A solução que conserva as córneas quando extraídas custa em média R$ 700, mas o banco privado compra isso de forma direta em grandes volumes, sem necessidade de licitação, o que agiliza o processo. Atualmente existem em Minas 56 estabelecimentos que fazem transplante, sendo 22 pelo SUS e 34 não SUS (plano de saúde ou particular)”, afirmou.

De acordo com orientações da Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig), o principal passo para se tornar um doador de órgãos é comunicar à família o desejo de doar. Não é necessário registro em documento, mas os familiares precisam autorizar a doação após a confirmação da morte encefálica.

Quem era Alice Ribeiro 

Repórter da Band Minas desde agosto de 2024, Alice construiu carreira em diferentes emissoras de televisão e rádio. Formada em Jornalismo pela PUC Minas em 2015, também passou por veículos como SBT, TV Globo, Record Minas, Record TV, Rede Bahia e Band Brasília.

Ela deixa o marido e um filho de 9 meses. Segundo a emissora, era conhecida pelo bom humor e pela disposição em ajudar colegas, além do envolvimento com pautas sociais, especialmente relacionadas ao autismo.

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