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• Defesa de Daniel Vorcaro aponta alterações em 657 arquivos de celular apreendido pela Polícia Federal

A defesa do ex-banqueiro Daniel Vorcaro apresentou ao Supremo Tribunal Federal (STF), nesta quinta-feira (29), um relatório técnico que aponta possíveis alterações em arquivos do celular apreendido pela Polícia Federal (PF) em novembro de 2025. Os advogados questionam a integridade dos dados utilizados na investigação da Operação Compliance Zero, que apura suspeitas de irregularidades envolvendo o Banco Master.

De acordo com a análise técnica contratada pela defesa, 657 arquivos foram modificados no dia 18 de novembro de 2025, quando o aparelho já estava sob custódia das autoridades. Outros 436 arquivos teriam sido criados na mesma data.

Entre os arquivos modificados, 59 seriam bancos de dados. Já os novos registros incluiriam 94 imagens e cinco bancos de dados.

O levantamento também identificou 340 arquivos com datas de modificação em 13 e 14 de maio de 2026, aproximadamente seis meses depois da extração inicial das informações do aparelho, realizada em novembro de 2025.

Defesa aponta movimentações no celular durante custódia

O relatório elaborado pelo perito Marcos Monteiro também identificou registros de atividade no telefone entre a noite de 17 de novembro e a madrugada do dia seguinte, período posterior à apreensão.

Segundo os advogados, os registros oficiais mencionam 207 eventos de tela, 33 ativações da câmera frontal relacionadas ao reconhecimento facial e três conexões pela entrada USB.

Outro ponto destacado pela defesa é que o banco de dados do WhatsApp teria registrado uma modificação às 1h48min14s, seis segundos depois de uma das conexões USB.

Os advogados também apontam registros de criação ou alteração de senhas durante a madrugada e questionam a ausência de documentação detalhada sobre quem teria manuseado o aparelho e quais procedimentos foram realizados.

Advogados questionam cadeia de custódia

A defesa sustenta que existem lacunas na documentação da cadeia de custódia do celular, procedimento responsável por registrar todas as etapas de preservação, transporte, armazenamento e análise de uma prova.

Entre os questionamentos apresentados estão a ausência de informações completas sobre a identificação do aparelho, registros dos lacres utilizados e detalhes técnicos dos procedimentos empregados para acessar e extrair os dados.

Os advogados também reclamam que não receberam os arquivos originais da extração, conhecidos como dados brutos, nem os códigos de verificação utilizados para comprovar a integridade dos arquivos digitais.

Diante dos questionamentos, a defesa solicitou ao STF acesso integral ao material original e à documentação técnica relacionada à apreensão e à perícia.

Alterações não comprovam adulteração intencional

Apesar dos registros apresentados, a análise particular não identifica quem teria realizado as alterações nem conclui que houve adulteração intencional das informações.

A defesa, entretanto, argumenta que a ausência dos dados originais e de registros completos impede uma verificação independente da integridade do material utilizado na investigação.

Os advogados também voltaram a questionar a manutenção da prisão de Vorcaro e defenderam sua soltura, alegando que os problemas apontados comprometem a confiabilidade das provas.

Até a publicação das informações consultadas, não havia confirmação de decisão do STF sobre os novos pedidos apresentados pela defesa.

Estado de Minas

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