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• Ex-companheiro confessa que matou diarista em MG; confira mais detalhes do crime

O ex-companheiro da diarista Flávia Soares Marques, de 26 anos, confessou à Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) que matou a jovem e revelou como ocultou o corpo em uma área de mata de difícil acesso em Inhapim, no Vale do Rio Doce. Em entrevista coletiva nesta sexta-feira (3/7), os investigadores detalharam a dinâmica do crime, afirmaram que o suspeito tentou construir um álibi, enganou familiares, procurou a polícia fingindo preocupação e apresentou versões contraditórias antes de admitir o feminicídio.

De acordo com o delegado Ivan Soares, a investigação começou logo após a família comunicar o desaparecimento de Flávia. O comportamento da vítima chamou a atenção dos policiais.

Separada do ex-companheiro havia cerca de seis meses, Flávia costumava deixar as duas filhas com a mãe aos fins de semana, mas sempre retornava no domingo pela manhã para buscá-las e mantinha contato constante com os familiares. Ela também nunca faltava ao trabalho.

Quando não apareceu para buscar as crianças nem compareceu ao serviço, a Polícia Civil passou a tratar o desaparecimento como uma possível ocorrência criminal.

Câmeras flagraram perseguição

As diligências identificaram que, poucos segundos depois de Flávia sair para participar de um forró, o carro do ex-companheiro passou a segui-la. Além disso, imagens mostraram a vítima entrando em uma estrada de terra que não fazia parte de sua rota habitual.

Segundo o delegado, técnicas investigativas permitiram confirmar que o suspeito esteve com a vítima após o desaparecimento.

Suspeito tentou despistar a polícia

Durante a coletiva, a PCMG revelou que o homem tentou construir um falso cenário para afastar qualquer suspeita.

Segundo os investigadores, ele:

  • ligou para a mãe e para a irmã de Flávia demonstrando preocupação;
  • ficou com as duas filhas do casal após o desaparecimento;
  • procurou policiais militares chorando e afirmando estar desesperado;
  • chegou a inventar que havia recebido informações de que Flávia teria sido presa no México.

Para a Polícia Civil, toda a movimentação fazia parte de uma tentativa de criar um álibi. Quando percebeu que seria preso, o suspeito acabou indicando aos investigadores onde havia deixado objetos da vítima e o local onde o corpo estava.

Corpo foi encontrado em penhasco

Os investigadores localizaram inicialmente a bolsa, o celular, maquiagem e peças de roupa da diarista descartados em uma área de mata. Na sequência, o suspeito levou os policiais até um penhasco em uma região de cafezal, onde apontou que Flávia teria “caído”.

Segundo os delegados, o acesso era extremamente difícil. A PCMG precisou do apoio do Corpo de Bombeiros para localizar e retirar o corpo, encontrado já em avançado estado de decomposição após permanecer cerca de seis dias no local.

O investigado afirmou que os dois foram ao local para manter relações sexuais e que Flávia teria caído acidentalmente no penhasco ao vestir um short. Para o delegado Ivan Soares, a versão não se sustenta.

A PCMG destacou que:

Segundo os delegados, o acesso era extremamente difícil. A PCMG precisou do apoio do Corpo de Bombeiros para localizar e retirar o corpo, encontrado já em avançado estado de decomposição após permanecer cerca de seis dias no local.

O investigado afirmou que os dois foram ao local para manter relações sexuais e que Flávia teria caído acidentalmente no penhasco ao vestir um short. Para o delegado Ivan Soares, a versão não se sustenta.

A PCMG destacou que:

  • o casal estava separado havia mais de seis meses;
  • familiares relataram histórico de violência doméstica, agressões e ameaças;
  • o short citado pelo suspeito foi encontrado cuidadosamente acomodado ao pé de uma árvore, e não junto ao corpo;
  • o local é extremamente perigoso e incompatível com a versão apresentada.

“É impossível qualquer pessoa em sã consciência manter relação sexual naquele local”, afirmou o delegado.

Arranhões nas costas podem indicar reação da vítima

Outro elemento considerado importante pela investigação são marcas de arranhões encontradas nas costas do suspeito. Conforme a Polícia Civil, os ferimentos podem indicar que Flávia tentou se defender durante a agressão.

A confirmação dependerá da conclusão dos exames periciais.Uma das principais dúvidas da investigação é se Flávia já estava morta quando foi arremessada no penhasco ou se ainda estava viva.

A resposta dependerá do exame de necropsia. O delegado explicou que o tempo em que o corpo permaneceu na mata pode dificultar algumas conclusões periciais.

Ministério Público fala em crime brutal

Durante a coletiva, o promotor de Justiça Jonas Martins classificou o caso como um dos mais graves registrados na região. Segundo ele, há indícios muito fortes de que o crime envolveu  feminicídio, sequestro, estupro, tortura e ocultação de cadáver.

O representante do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) afirmou que o suspeito tentou garantir a impunidade ao esconder o corpo em um local praticamente inacessível. “Ele acreditava que o corpo jamais seria encontrado e que conseguiria dizer que ela simplesmente havia desaparecido”, ressaltou Martins.

Pena pode ultrapassar 100 anos

O promotor informou que o MPMG pretende denunciar o investigado por todos os crimes apontados durante a investigação. Segundo Martins, a soma das penas pode ultrapassar 100 anos de prisão, caso todas as acusações sejam confirmadas.

O Tempo

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