Uma ex-detenta de 36 anos é suspeita de aplicar um golpe de aproximadamente R$ 1 milhão contra uma vizinha de 46 anos após fingir incorporar uma entidade espiritual que transmitia orientações sobre cura de doenças, proteção e resolução de problemas. O companheiro dela, de 24 anos, também é investigado por participação no esquema. Os dois estão foragidos e são procurados pela Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG).
O caso chegou ao conhecimento da Polícia Civil em 30 de maio deste ano, quando a vítima procurou a delegacia de Ubaporanga, no Vale do Rio Doce, para denunciar o suposto golpe. De acordo com as investigações, a suspeita, egressa do sistema prisional e com registros por estelionato, teria se aproximado da vizinha e, ao longo do tempo, construído uma relação de confiança.
Segundo a Polícia Civil, a mulher passou a se apresentar como portadora de uma suposta entidade espiritual capaz de orientar a vítima em questões relacionadas à saúde, proteção pessoal e solução de problemas cotidianos. A partir dessa estratégia, ela teria conseguido manipular a vizinha e obter sucessivas vantagens financeiras.
O delegado Sávio Moraes, responsável pelas investigações, afirma que a suspeita colocou em prática um esquema cuidadosamente planejado para obter vantagens ilícitas. Levantamentos realizados pela polícia apontam que recursos obtidos por meio da fraude teriam sido utilizados na compra de veículos, celulares, joias, móveis, eletrodomésticos e diversos outros bens, causando um prejuízo patrimonial estimado em até R$ 1 milhão.

Festa de luxo
As investigações também revelaram que os suspeitos promoveram, em 17 de maio deste ano, uma festa de aniversário de alto padrão para o filho de 1 ano. Durante a comemoração, dezenas de convidados receberam presentes, entre eles pulseiras e anéis de ouro, kits de perfumaria e cafeteiras elétricas.
De acordo com a Polícia Civil, há indícios de que os presentes distribuídos durante o evento tenham sido adquiridos com dinheiro proveniente do suposto golpe.
Durante a apuração, várias pessoas que participaram da festa foram ouvidas. Algumas delas entregaram voluntariamente aos investigadores os bens que haviam recebido dos investigados.
“Ao longo da investigação, testemunhas presenteadas pelos investigados foram ouvidas, ocasião em que formalizaram a entrega voluntária de diversos bens adquiridos com dinheiro obtido mediante fraude, como celulares, pulseiras e anéis de ouro, kits de perfumaria e cafeteiras elétricas”, destacou o delegado Sávio Moraes.
Operação policial
Na segunda-feira (22), a Polícia Civil cumpriu mandados de busca e apreensão em imóveis ligados aos investigados. Durante a operação, os policiais localizaram e recolheram diversos bens móveis novos, entre eles geladeira, fogão, camas, lustres e armários.
Segundo a corporação, os objetos apreendidos teriam sido adquiridos com recursos obtidos por meio da fraude investigada. Os materiais serão analisados e poderão contribuir para a recuperação do patrimônio da vítima.
Apesar das diligências realizadas, a mulher de 36 anos e o companheiro de 24 anos não foram localizados. O casal continua foragido e é procurado pela Polícia Civil.
As investigações seguem em andamento para localizar os suspeitos, identificar possíveis novos envolvidos e ampliar a recuperação dos bens e valores obtidos por meio do esquema criminoso.





