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• Hemominas produz colírio a partir do próprio sangue do paciente para tratar doenças oculares graves

A Fundação Hemominas deu início à produção do Colírio de Soro Autólogo (CSA), uma alternativa terapêutica personalizada voltada para o tratamento de distúrbios oculares severos. O diferencial do produto é a sua matéria-prima: o sangue do próprio paciente. Por ser uma solução biológica individualizada, o risco de rejeição é drasticamente reduzido, aumentando a eficácia em casos onde colírios convencionais não apresentam resultados satisfatórios.

Um dos beneficiados pela técnica é Davi Henrique Leonel, de 12 anos. Após desenvolver a Síndrome de Stevens-Johnson devido a uma reação medicamentosa, o estudante sofreu lesões graves nas córneas e perda parcial da visão. No Hemocentro de Belo Horizonte, Davi realizou a coleta de sangue que dará origem a cerca de 70 frascos do colírio, garantindo três meses de tratamento. Segundo o pai do menino, Cristiano, a melhora na hidratação ocular foi imediata, permitindo que o intervalo entre as aplicações fosse ampliado.

Processo de fabricação e segurança

A produção do CSA ocorre em etapas rigorosas para garantir a esterilidade do medicamento:

  • Coleta e transporte: O sangue é colhido no Hemocentro de BH e enviado ao Cetebio, em Lagoa Santa.
  • Centrifugação: O soro (parte líquida do sangue) é separado das células.
  • Diluição e envase: O material é diluído em solução de cloreto de sódio, conforme a prescrição médica, em uma “sala limpa” totalmente estéril.
  • Certificação: Antes da entrega, o produto passa por testes microbiológicos para assegurar que está livre de contaminantes.

O bioquímico Maurício Colombini Martins, gerente do Banco de Células do Cetebio, ressalta que o colírio só é liberado após certificação total, sendo especialmente eficaz para pacientes com síndrome do olho seco severa.

“O colírio só é liberado ao paciente após a certificação de que está apto para o uso”, afirma. 

Parcerias e indicações terapêuticas

A terapia é indicada para condições complexas como a Síndrome de Sjögren, disfunções lacrimais e doenças do enxerto contra o hospedeiro. Embora seja um tratamento personalizado e não possua registro comum na Anvisa, o procedimento é reconhecido pelo Conselho Federal de Medicina (CFM).

Atualmente, o projeto é realizado por meio de uma parceria entre a Fundação Hemominas e o Hospital São Geraldo, unidade do Hospital das Clínicas da UFMG, referência em oftalmologia na capital.

*Com informações da Agência Minas

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