Quando saiu de casa nesta quarta-feira (27/5), Nicole Gomes dos Santos, de 18 anos, carregava um medo que já faz parte da rotina de muitas famílias do bairro Arvoredo II, em Contagem: o risco provocado por linhas com cerol. O que ela nunca imaginou é que, em poucos segundos, veria o próprio irmão morrer diante dos seus olhos. Enquanto estava com Ravi Oliveira Dias, de 1 ano e 9 meses, a jovem viu uma linha cortante — fina quase ao ponto de escapar aos olhos, mas capaz de ferir como uma lâmina — atingir o menino e transformar uma preocupação recorrente em tragédia.
O menino estava com ela quando foi atingido no pescoço pela linha de uma pipa empinada por um jovem que brincava nas proximidades. Antes de atingir a criança, a linha chegou a atingir a canaleta de uma moto que passava pela rua. A própria família socorreu o menino até a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Pampulha, mas ele não resistiu aos ferimentos.
Nicole relembrou o momento de desespero após o acidente. “A única coisa que eu lembro é que ele estava cheio de sangue no pescoço. Daí eu gritei por socorro, para ajudarem e levá-lo para a UPA”, contou.
Abalada, Nicole descreveu Ravi como uma criança alegre e carinhosa. “Ravi era um anjo, ele era muito esperto, era um anjo, não tinha o que descrever. Já tinha presenciado isso direto, mas com ele nunca poderia acontecer”, disse.
O jovem que soltava a pipa esteve na UPA, sob escolta da Polícia Militar. Abalado, ele preferiu não gravar entrevista e disse lamentar o ocorrido.

Uso de cerol é proibido em Minas Gerais
A venda e o uso de linhas cortantes são proibidos em Minas Gerais. A legislação estadual prevê multa de R$ 5.279, podendo chegar a R$ 263.950 em caso de reincidência.
Em Belo Horizonte, uma lei municipal também pune a prática. A multa é de R$ 2 mil para quem usar o material e de R$ 4 mil para quem comercializá-lo. Em caso de reincidência, os valores dobram.





