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• Jequitibá-rosa com 264 anos é encontrado em reserva ambiental no leste de Minas Gerais

Uma árvore que atravessou mais de dois séculos de história foi identificada na Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) Fazenda Macedônia, em Ipaba, no leste de Minas Gerais. Um jequitibá-rosa (Cariniana legalis) teve seu crescimento datado entre 1760 e 2023, totalizando 264 anos, segundo estudo realizado pela CENIBRA, em parceria com pesquisadores da Universidade Federal de Lavras (UFLA) e da empresa Smart Timber.

A reserva, que completa 32 anos em outubro de 2026, abriga um conjunto de jequitibás-rosa de grande porte, alguns com aproximadamente 50 metros de altura. A espécie é considerada extremamente ameaçada de extinção, o que reforça a importância da preservação dessas árvores centenárias.

De acordo com o levantamento, cinco exemplares selecionados para a pesquisa apresentaram idades estimadas entre 104 e 254 anos, com alturas de 32 a 50 metros. A árvore mais antiga identificada no estudo estava caída naturalmente no interior da floresta.

Aos 254 anos, jequitibá-rosa de 50 metros está entre os gigantes centenários
estudados na RPPN Fazenda Macedônia.

Com 50 metros de altura e 5,06 metros de circunferência, esse jequitibá-rosa
tem idade estimada em 155 anos.

Tecnologia e ciência ajudam a revelar a idade das árvores

A pesquisa começou após a descoberta de um jequitibá com cerca de 50 metros de altura na reserva. A partir desse registro, a equipe ambiental da CENIBRA utilizou a tecnologia LiDAR, que emprega sensores a laser para medir a altura da vegetação e identificar árvores de grande porte.

Os dados permitiram localizar diversos pontos com árvores superiores a 40 metros. Cinco exemplares foram selecionados para análise, incluindo a árvore caída que possibilitou a identificação dos anéis de crescimento.

Os pesquisadores utilizaram a dendrocronologia, ciência que estuda esses anéis para compreender o crescimento das árvores e estabelecer referências temporais. A análise do tronco revelou o período de crescimento entre 1760 e 2023, correspondente a 264 anos.

Nas árvores vivas, foram aplicadas técnicas que permitem acessar os anéis de crescimento sem comprometer os exemplares estudados.

Para Ana Carolina Maioli Campos Barbosa, doutora em Engenharia Florestal e professora da UFLA, os resultados demonstram a importância da conservação. Segundo ela, quando se compreende que uma árvore leva séculos para atingir determinadas dimensões, fica evidente que sua perda não pode ser compensada em poucas décadas.

Equipes da CENIBRA, UFLA e Smart Timber unem conhecimento técnico e
científico no estudo dos jequitibás-rosa da RPPN Fazenda Macedônia.

– Este jequitibá-rosa de 50 metros integra o bosque de gigantes da RPPN
Fazenda Macedônia e tem idade estimada em 104 anos.

Exemplares chegam a 50 metros de altura

O levantamento reuniu informações sobre cinco jequitibás-rosa encontrados na reserva:

  • Jequitibá 1: 50 metros de altura, 4,74 metros de circunferência e idade estimada em 254 anos.
  • Jequitibá 2: 32 metros de altura, 3,17 metros de circunferência e 168 anos.
  • Jequitibá 3: 50 metros de altura, 5,06 metros de circunferência e 155 anos.
  • Jequitibá 4: 50 metros de altura, 2,83 metros de circunferência e 104 anos.
  • Jequitibá 5: 40 metros de altura, 4,05 metros de circunferência e 200 anos.

O estudo também contribui para avaliar a integridade ecológica da floresta e orientar ações de manejo, monitoramento e restauração ambiental.

D’Lano Sathler, especialista ambiental da CENIBRA, destaca que as informações obtidas oferecem evidências científicas sobre a história e a dinâmica da área conservada.

Jequitibá-rosa de 168 anos alcança 32 metros de altura no interior da reserva.

 

Campanha aproximou colaboradores da conservação

Para estimular o interesse pela floresta, a CENIBRA promoveu a iniciativa “Quina das Árvores”, um bolão no qual os participantes receberam pistas sobre altura e circunferência dos troncos para tentar estimar a idade dos cinco jequitibás.

A ação recebeu mais de 2.535 palpites e demonstrou que o tamanho de uma árvore, isoladamente, não é suficiente para determinar sua idade.

A campanha também chegou à Associação Mineira da Indústria Florestal (AMIF), que organizou uma iniciativa semelhante para lideranças de empresas associadas e promoveu um quiz nas redes sociais. No Instagram da entidade, a publicação ultrapassou 50 mil visualizações e registrou 590 interações entre curtidas, comentários e compartilhamentos.

Pesquisas podem ampliar conhecimento sobre o clima e a restauração florestal

Os resultados abrem novas possibilidades de investigação sobre a relação entre o crescimento das árvores e as condições climáticas do passado, o armazenamento de carbono, a conservação genética e o potencial dos jequitibás para projetos de restauração florestal.

Também estão previstas possibilidades de ações de educação ambiental, produção de materiais informativos e visitação ao bosque das gigantes.

A iniciativa reforça a relevância da preservação de florestas antigas, que guardam informações sobre a história ambiental e representam um patrimônio natural para as próximas gerações.

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