Manifestantes ocuparam as ruas de Belo Horizonte na manhã deste domingo (7) para denunciar o avanço dos feminicídios no país e exigir ações imediatas de proteção às mulheres. O ato integrou o Ato Nacional Mulheres Vivas, convocado em diversas cidades brasileiras em resposta à escalada de violência registrada em 2024 e 2025.
A concentração começou por volta de 10h na Praça Raul Soares, seguindo em caminhada pela Praça Sete até a Praça da Estação. Durante o trajeto, participantes carregavam flores, faixas e cartazes com frases como “basta de feminicídio”, “não me mate” e “pare de matar as mulheres”. Um dos gritos mais repetidos foi: “Feminicídio tem que combater! Não quero flor, quero viver”.
Também chamaram atenção mensagens em memória da jovem Alice Martins, mulher trans morta em Belo Horizonte, lembrada em diversos cartazes erguidos ao longo da marcha.

‘Importância, urgência e necessidade’
Entre as participantes estava Denise Coimbra, que saiu de Bom Despacho para acompanhar o ato. Ela contou ter vindo para Belo Horizonte no dia anterior por segurança e destacou a relevância da mobilização. “Pela importância, urgência e necessidade. Pela violência excessiva contra as mulheres ao longo da história. Que a gente barre por agora para no futuro a gente não precisar estar aqui novamente”, afirmou.
A manifestante, que integra o coletivo feminista Humana e atua como psicanalista atendendo mulheres da periferia, reforçou o papel dos movimentos sociais na construção de redes de apoio. “O coletivo tem se organizado também para estar mais atuante nessa luta tão necessária”.
Inclusão e resistência
A marcha também reuniu famílias inteiras, além de pessoas com deficiência que enfrentaram as dificuldades do trajeto. Clarice Rosa Aguiar, 45 anos, percorreu o caminho em cadeira de rodas. “Eu achei incrível, porque a gente tem que conscientizar que o mundo tem e não pode aceitar o que acontece com mulheres, um país que é o quinto país que mais mata mulher, quatro mulheres ao dia. É um absurdo. Ninguém pode aceitar isso”, contou.
Violência em alta
O ato reforçou dados divulgados pelo próprio movimento: entre janeiro e setembro de 2025, 1.077 mulheres foram assassinadas no Brasil, uma média de quatro mortes por dia. Mais de 2,7 mil tentativas de feminicídio foram registradas no período.
Em Minas Gerais, só no primeiro semestre deste ano, foram 78.697 casos de violência doméstica e 167 vítimas de feminicídio, 72 mortes consumadas e 95 tentativas.
O que é o ato Mulheres Vivas
Organizado por coletivos, movimentos sociais e frentes feministas, o Levante Nacional Mulheres Vivas defende políticas públicas efetivas, combate ao machismo estrutural e visibilidade às vítimas. O movimento afirma que “nenhuma mulher pode ser esquecida” e convoca a sociedade a cobrar respostas do poder público.
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