Uma médica foi indiciada por negligência médica após um bebê indígena morrer, depois de a profissional afirmar para a mãe que ele ‘só precisava de colo’ e não solicitar exames quando a mulher relatou que a criança chorava em excesso e não conseguia mamar, em Aragarças, no oeste de Goiás. Segundo o delegado Fábio Marques, a pediatra foi indiciada por homicídio culposo.
“Não só a mãe confirmou isso, mas pessoas ouviram ela [a médica] dizendo para a mãe que a criança estava chorando desse jeito porque “criança chora” e porque ela só precisava de colo”, explicou o delegado.
De acordo com a polícia, o bebê viveu certa de 72 horas, tendo nascido no dia 14 de novembro de 2021, recebido alta médica no dia 16 e morrido no dia 17, dentro do hospital, após a mãe retornar à unidade. Ao g1, a defesa da médica, que foi indiciada na última sexta-feira (18), afirmou que a pediatra foi “diligente e agiu como manda o protocolo” e que “não pediu exames pois não verificou a necessidade”
(veja nota completa ao final da reportagem).
À TV Anhanguera, a assessoria jurídica de Aragarças disse que a criança foi liberada sem intercorrências, mas que quando tiver acesso ao laudo da polícia, a prefeitura vai colaborar com as investigações. Disse também que a médica indiciada já foi demitida, não por causa da morte do bebê, mas por questões administrativas.
A Polícia Civil divulgou que a causa da morte foi pneumonia. Segundo o delegado, a perícia determinou que a “pneumonia foi ocasionada por uma infecção não tratada”, que poderia ter sido tratada com o uso de antibióticos.
A reportagem solicitou ao Conselho Regional de Medicina do Estado de Goias (Cremego) um posicionamento sobre o caso, mas não recebeu retorno até a última atualização desta reportagem.

Morte em hospital
De acordo com a polícia, o caso aconteceu no hospital municipal da cidade. O delegado explicou que nem a mãe nem o bebê não tiveram nenhuma intercorrência durante o pré-natal ou o nascimento da criança. No entanto, logo que o bebê nasceu, a mãe percebeu que o filho não conseguia se alimentar e chorava muito, e então procurou a equipe médica do hospital solicitando uma “fórmula de leite”, para tentar ajudá-lo.
Apesar da explicação da polícia de que a mulher e o bebê ficaram internados por dois dias antes de receberem alta, a defesa da médica alegou que, após o nascimento, “a criança ficou dois dias sem que nenhum médico a examinasse”. Segundo o delegado, na verdade, durante esses dois dias em que os dois permaneceram na unidade, eles foram atendidos apenas por enfermeiros, sem nenhum atendimento feito por médicos.
“Esses enfermeiros informaram que ela estaria já em alta e ela insistiu que só sairia de lá se a pediatra autorizasse ela a ir embora. Foi quando ela falou com essa pediatra, disse que o bebê não estava bem e não estava se alimentando, que estava com uma coloração levemente amarelada”, explicou o delegado.
“Ela liberou a criança com a mãe para ir para casa e pediu para voltar depois de 15 dias”, complementou.
Segundo a polícia, após ir para casa com o filho, a mãe percebeu que o bebê não melhorou e, no dia seguinte, estava em um quadro aparentemente mais grave. Nisso, retornou ao hospital. Na ocasião, o bebê foi atendido por outro médico, mas não resistiu.
“[A criança] foi atendida por um outro médico que observou que a criança realmente não estava bem, só que já era tarde. Quando ele pediu os exames, a criança já tinha falecido”, disse o delegado.
Nota da defesa da médica
“Há um pré julgamento do que aconteceu. Não há nada concluído ainda. Importante mencionar que após o nascimento da criança, esta ficou dois dias sem que nenhum médico a examinasse. A criança ficou fora do hospital e não se sabe o que aconteceu com essa criança nesse período… É uma criança indígena. Foi realizada a autópsia e exame histopalógico e nada foi encontrado. Existem mais dois outros laudos e que não apontaram nada disso do que a acusação trouxe.
A pediatra foi diligente e agiu como manda o protocolo. Não pediu exames pois não verificou a necessidade destes. Caso enxergasse, o teria feito. Ressalta-se, ainda , que a autópsia não atestou nada de errado no pulmão do bebê.
Fora que a investigação demorou mais de dois anos para ser concluída e que se limitou a ouvir poucas pessoas. A profissional de saúde já tomou as medidas cabíveis em sua defesa”.
G 1




