Os métodos tradicionais de produção da cachaça de alambique foram reconhecidos como patrimônio cultural imaterial de Minas Gerais. A decisão foi aprovada na quinta-feira (22) pelo Conselho Estadual do Patrimônio Cultural (Conep), durante reunião realizada no Palácio da Liberdade, em Belo Horizonte.
O reconhecimento busca preservar os conhecimentos e as técnicas que atravessam gerações, além de ampliar a visibilidade dos produtores rurais que mantêm viva essa tradição no estado.
A medida também representa uma oportunidade para valorizar a atividade artesanal, que reúne história, cultura, trabalho familiar e desenvolvimento econômico em diferentes regiões mineiras.
Minas lidera a produção nacional
Minas Gerais ocupa posição de destaque na produção brasileira de cachaça de alambique. Dados da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado de Minas Gerais (Emater-MG) apontam uma produção estimada em 13,5 milhões de litros por ano e 630 alambiques registrados.
De acordo com o Anuário da Cachaça 2026, divulgado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), o estado concentra 36,7% dos estabelecimentos formais do setor no país.
A cadeia produtiva também apresenta diversidade de marcas e produtos. Minas Gerais contabiliza 2.922 produtos registrados e 4.043 marcas comerciais, números que demonstram a dimensão da atividade no território mineiro.

Tradição transmitida entre gerações
O registro como patrimônio imaterial reconhece não apenas a bebida, mas os conhecimentos envolvidos em sua produção. São práticas que incluem o processamento da cana-de-açúcar, as técnicas de fabricação e os saberes desenvolvidos e aperfeiçoados ao longo do tempo.
Para o governo estadual, a iniciativa pode contribuir para a preservação desses conhecimentos e para a valorização de produtores, inclusive daqueles que ainda não estão formalizados nos registros oficiais.
O reconhecimento também fortalece a identidade cultural associada à cachaça mineira e cria oportunidades para ampliar sua presença nos mercados nacional e internacional..
Salinas se destaca entre os municípios produtores
No Norte de Minas, Salinas é uma das principais referências da produção de cachaça artesanal. Segundo os dados divulgados na reportagem da Itatiaia, o município reúne 27 estabelecimentos formalizados e 319 produtos registrados.
Outras cidades mineiras também apresentam presença expressiva de alambiques, entre elas Alto Rio Doce, Rio Espera, Córrego Fundo e Lamim.
A atividade movimenta economias locais, gera trabalho no campo e contribui para o turismo ligado à gastronomia e às tradições regionais.
Reconhecimento integra política de preservação cultural
A decisão sobre a cachaça foi aprovada na mesma reunião em que o Conep reconheceu as Expressões do Samba em Minas Gerais como patrimônio cultural imaterial e aprovou o tombamento da Casa de Dona Beja, em Araxá.
As medidas integram ações de preservação de manifestações culturais, conhecimentos tradicionais e referências históricas que fazem parte da identidade mineira.
Fonte: Rádio Itatiaia e Governo de Minas Gerais.






