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• Papai Noel mineiro que foi esquecido em Guarapari no ano passado planeja criar associação da categoria em 2024

O Papai Noel de Belo Horizonte que foi esquecido em Guarapari (ES) no ano passado, hoje planeja trabalhar por melhores condições de trabalho para os idosos que atuam como bom velhinho em todo o estado. (E ele pede para ser chamado de Papai Noel, mesmo, tá?)

Em abril do ano passado, o Papai Noel fez uma viagem para a cidade capixaba, mas acabou sendo esquecido por um ônibus de viagem. Na ocasião, ele estava na companhia da esposa, para comemorar 40 anos de casados, mas teve problemas na volta.

No entanto, isso não abalou a esperança de dias melhores do bom velhinho mineiro. Atualmente, ele trabalha na criação da Associação Mineira dos Papais Noéis. A ideia é ajudar na busca por melhorias para os idosos que atuam na área em época de Natal.

“Todo mundo acha o velhinho bonito, cheiroso e bem cuidado, mas não sabe que muitas vezes ele é um idoso doente, que deixa a família de lado para ganhar o sustento, fora que o que ganham em poucos meses, gastam o ano todo pra comprar remédios. Então a criação dessa associação é uma forma de luta para a gente conquistar coisas reais”, contou o Papai Noel.

Outro ponto levantado pelo Papai Noel é a dificuldade de conciliação do trabalho como Micro Empreendedor Individual (MEI) com o valor fixo recebido da aposentadoria.

Muitos deles precisam emitir nota para as empresas contratantes, o que pode anular o recebimento do benefício. “Um idoso que trabalha para um shopping ou prefeitura, por exemplo, vai exigir a emissão da nota fiscal”, disse.

Papai Noel Robin Hood

O nome do bom velhinho é, na verdade, Mário de Assis, mas ele prefere ser chamado apenas de Papai Noel, já que se identifica com essa figura do Natal que trabalha em prol dos mais pobres.

Casado há 42 anos, – mas não com a Mamãe Noel – o Papai Noel mineiro é pai de três filhos e avô de dois netos. Dos seus quase 40 anos de trabalho, 35 foram de forma voluntária.

Hoje, ele faz a alegria dos frequentadores do Restaurante Popular do Centro de BH, que deve atender mais de quatro mil pessoas neste ano — a maioria em situação de vulnerabilidade social.

“Faço o badalo com sino, acordando as pessoas em situação de rua. Trabalhei 35 anos apenas para Deus, de forma voluntária, porque nunca quis dinheiro, e nem quero. O que eu ganho com os ricos, eu gasto com pobres. É um sistema de Papai Noel robinhoodiano”, brincou o Noel.

Serviço voluntário

Foi em meados de 1984 que o bom velhinho começou a se montar para o Natal, com uma barba de plástico e uma tinta guache branca para pintar o rosto. De início, ele atendia escolas, lares de idosos e hospitais, o que evoluiu para centros educativos para jovens infratores, assentamentos e até penitenciárias.

Em 2020, com a pandemia, o Noel se viu obrigado a encarar um novo vírus que mudaria toda sua rotina. Ele também chegou a testar positivo para Covid-19, na época, e relembra de ter “pedido a Deus” para que essa não fosse sua hora de partir.

“Olhei pro céu e pedi pra Deus me deixar viver como Papai Noel. Parece que escutei lá de cima que ainda teria muito trabalho aqui embaixo”, afirmou.

Noéis nas montanhas de Minas

Para ele, o dom de ser o Papai Noel de tantas crianças, jovens e adultos é o que dá sentido à vida. O brilho nos olhos de quem vê o velhinho chegando com um saco vermelho recheado de brinquedos e esperança motiva o vovô nesse serviço tão esperando todo final de ano.

“A melhor parte é me sentir dentro dos olhos de uma criança. É como se eu tivesse olhando para o espelho de Deus. Para eles sou um super-herói”, disse.

Em 2024, a promessa do Noel de BH é criar, também, um movimento que vai levar papais Noéis para todo o estado de Minas Gerais. O projeto Trilhando as Montanhas de Minas prevê um congresso nacional, sediado em BH, que vai reunir bons velhinhos de todo o Brasil.

As inscrições já foram abertas e 88 Noéis já demonstraram interesse em participar, três deles são de fora do país. A meta é que até 200 Papais Noéis participem e façam uma visita às cidades de Ouro Preto, Mariana, Itabirito, São João del Rei e Congonhas. A programação inclui uma caminhada em prol da solidariedade e esperança.

“Vamos orar perto das imagens dos profetas. Depois, vamos seguir para a Serra da Piedade, todos vão ajoelhar diante da imagem de Nossa Senhora da Piedade e pedir paz pelo mundo”, contou.

No dia 25, dia de Natal, ele estará no tradicional almoço do Restaurante Popular I, no Centro de BH. A estimativa é que sejam distribuídas 4 mil refeições, além da entrega das doações que foram arrecadadas ao longo do mês.

E o bom velhinho garantiu que haverá boas surpresas, com direito a renas que acompanharão o Noel na entrega dos presentes.

“Já não sou o Mário há muitos anos, eu sou apenas o Papai Noel”.

G 1

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