Um caso envolvendo dois policiais militares, morte e um possível relacionamento extraconjugal no Ceará repercute nas redes sociais nesta quarta-feira (12). A PM Júlia Natalia Girão Gomes, de 27 anos, foi presa na terça (11) suspeita de matar o colega de corporação, o soldado Raphael Sampaio, também de 27, na região metropolitana de Fortaleza. O corpo do homem foi encontrado dentro de um carro em chamas, e as autoridades investigam um possível relacionamento amoroso entre os policiais. O marido de Júlia também é suspeita do crime.
A PM foi presa por uma série de inconsistências em seu depoimento inicial à polícia.
O soldado Raphael Sampaio da Silva, de 27 anos, foi encontrado morto na terça-feira (11/8). Uma testemunha acionou as forças de segurança ao avistar um veículo em chamas na região. O Corpo de Bombeiros apagou o incêndio e encontrou um corpo no interior do automóvel. A Polícia Militar, a Polícia Civil e a Perícia Forense do Ceará foram acionadas para a ocorrência. Raphael havia ingressado na corporação em junho de 2022 e estava lotado na 2ª Companhia do 16º Batalhão de Polícia Militar.
A Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social do Ceará (SSPDS) informou que exames periciais realizados pela Perícia Forense do Ceará (Pefoce) descartaram amputação no corpo da vítima. Segundo a secretaria; “a perícia encontrou lesões por arma de fogo feitas na vítima ainda em vida, com posterior carbonização do corpo”. Isso indica que Raphael foi baleado antes de o carro ser incendiado.

Colega de corporação suspeita
A também policial militar Júlia Natália Girão Gomes foi encontrada por moradores com as mãos amarradas em uma área de mata próxima à BR-116, ao lado do local onde o corpo de Raphael foi localizado. Ela prestou depoimento à Polícia Civil afirmando estar amarrada naquele ponto no momento do crime. Porém, uma câmera de segurança registrou a policial na oficina do marido às 8h52 do mesmo dia, contradizendo o que ela havia dito. A Polícia Civil suspeita que ela tenha forjado a situação de vítima para desviar as investigações. O relacionamento entre Júlia e Raphael também é investigado; segundo as autoridades, os dois teriam tido um envolvimento amoroso.
O marido de Júlia Natália também foi ouvido por policiais civis no DHPP na noite da terça-feira (11/8) e é investigado por ligação com o homicídio. Ele já possui antecedentes por estelionato, falsa identidade, lavagem ou ocultação de bens, integração a organização criminosa, receptação e posse irregular de arma de fogo de uso permitido.
O que as autoridades disseram sobre o caso?
O governador do Ceará, Elmano de Freitas, se manifestou nas redes sociais; “Recebi com imenso pesar e indignação a notícia da morte do PM Raphael Sampaio. Determinei ao secretário da Segurança Pública rigor absoluto nas investigações. Os responsáveis por esse crime bárbaro serão presos e entregues à Justiça.”
O procurador-geral de Justiça do Ceará, Herbet Santos, determinou a criação de uma força-tarefa de promotores para atuar nos procedimentos investigatórios e judiciais do caso. O MP justificou a medida pela “complexidade do caso, especialmente por envolver um agente integrante das forças de segurança pública”.
Quem é a policial presa?
Júlia Natália Girão Gomes, de 27 anos, foi admitida na Polícia Militar do Ceará em novembro de 2024. Ela era colega de equipe de Raphael no mesmo batalhão. Segundo a TV Verdes Mares, a policial já possuía antecedentes criminais antes de ingressar na corporação, respondendo por estelionato, lavagem ou ocultação de bens e integração a organização criminosa. Ela foi autuada em flagrante por homicídio na sede do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), da Polícia Civil, em Fortaleza.
O que ainda não se sabe?
A motivação do homicídio segue sob investigação. Não há informação precisa sobre o horário exato em que Júlia foi encontrada amarrada pelos moradores. A investigação está a cargo da Delegacia de Homicídios Contra Agentes de Segurança Pública (DHASP), que realiza diligências e oitivas para apurar todas as circunstâncias do crime. O contato com a defesa da policial ainda não havia sido estabelecido até a publicação desta reportagem.






