BRASÍLIA – O Congresso Nacional retorna do recesso no início de fevereiro e parlamentares já defendem como um dos temas prioritários a apuração sobre a fraude do Banco Master. Uma ala defende a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) sobre o tema.
A pressão vai ser depositada em cima dos presidentes do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), e da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB). Os dois são responsáveis pela abertura de CPIs nas Casas que comandam, mas não sinalizaram disposição para a pauta.
Entre as possibilidades, eles podem tentar adiar o tema pela fila de pedidos de criação de CPIs e o limite estabelecido em regimento. A aposta para a apuração parlamentar é amplamente articulada pela oposição, mas conta também com nomes de outras alas, como da base governista.
A investida ganha forma ainda com o questionamento sobre o ministro Dias Toffoli como relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF). Outro integrante da Corte apontado por parlamentares é o ministro Alexandre de Moraes por conta de contratos do escritório da esposa, a advogada Viviane Barci, com o Master.
São pelo menos duas frentes de articulação nesse sentido. Uma delas, liderada pelo senador Eduardo Girão (Novo-CE), pede a criação de uma CPI no Senado. Já o deputado Carlos Jordy (PL-RJ) tenta uma CPMI, que atua de forma mista com deputados e senadores.
De acordo com o partido Novo, um dos responsáveis pela articulação, a iniciativa já tem a assinatura de 42 dos 81 senadores e cerca de 200 dos 513 deputados federais totais – números maiores do que o mínimo necessário de um terço de cada Casa Legislativa.

A investida não se restringe ao Congresso e recai também sobre a Procuradoria-Geral da República (PGR), que arquivou um pedido de afastamento de Toffoli do caso Master. A decisão foi assinada pelo chefe da instituição, Paulo Gonet, e contestada pela oposição.
Girão, por exemplo, acrescentou informações sobre o suposto elo de Toffoli com o resort Tayayá, localizado no Paraná, em representação apresentada. O espaço turístico foi negociado entre familiares do ministro e Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro, que é o proprietário do Banco Master. Uma reportagem do “Metrópoles” expôs que o ministro é tratado como o verdadeiro proprietário do resort.
Outro ponto é que a compra do resort foi estruturada por um fundo de investimento administrado pela Reag, investigada no escândalo do Banco Master. O senador alega que há indícios de impedimento e de conflito de interesses na relatoria de Dias Toffoli.
“A atuação do Ministro Dias Toffoli em procedimentos que envolvem o Banco Master, ao mesmo tempo em que emergem vínculos patrimoniais, familiares e relacionais com pessoas direta ou indiretamente conectadas ao mesmo núcleo econômico, compromete a aparência de imparcialidade, valor tão relevante quanto a imparcialidade subjetiva”, argumentou.




