Rafael Anjos Martins, de 28 anos, está em coma desde 1º de setembro após consumir bebidas contaminadas com metanol em São Paulo. Em áudio enviado a uma amiga antes de ser hospitalizado, divulgado pelo Fantástico, o jovem descreveu sintomas iniciais da intoxicação: “Tá tudo rodando, parece que tô com a pressão baixa, sei lá”. O caso integra uma série de nove ocorrências registradas em apenas 25 dias no estado, conforme alerta da Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas e Gestão de Ativos (Senad/MJSP).
Sintomas graves e rápida evolução
A intoxicação por metanol (álcool metílico) manifesta sintomas alarmantes em curto período. Diogo Marques de Sousa, amigo de Rafael que também consumiu as bebidas contaminadas, relatou sua experiência: “Eu acordei desesperado porque abri o olho e não estava enxergando nada, tudo preto e uma dor de cabeça muito forte”. Os sintomas evoluíram rapidamente após o consumo das bebidas contaminadas.
agosto, quando consumiram gin tônica e caipirinhas compradas em uma adega na capital paulista. Horas depois, começaram a apresentar os primeiros sinais de intoxicação.
O metanol, substância utilizada industrialmente em solventes e produtos químicos, ataca inicialmente o fígado quando ingerido. O composto se transforma em substâncias tóxicas que comprometem a medula, o cérebro e o nervo óptico, podendo causar cegueira, coma e morte.

Casos confirmados e investigações em andamento
Na Grande São Paulo, três óbitos já foram confirmados por consumo de bebidas alcoólicas adulteradas com metanol: um homem de 58 anos em São Bernardo do Campo, outro de 54 anos na capital paulista e um terceiro de 45 anos, cujo local de residência ainda está em investigação.
O Centro de Vigilância Sanitária (CVS) do estado de São Paulo informou que, “Desde junho deste ano, foram confirmados seis casos de intoxicação por metanol, dos quais dois resultaram em óbito — um em São Bernardo do Campo e outro na capital. Atualmente, há dez casos sob investigação com suspeita de intoxicação por consumo de bebida contaminada, na capital.”
As autoridades ainda não determinaram a origem exata das garrafas contaminadas. A polícia apreendeu bebidas vendidas em uma adega para perícia, mas as investigações sobre a fonte da contaminação continuam em andamento.
Estado crítico e apelo familiar
A enfermeira, Helena, mãe de Rafael, descreveu a gravidade do estado do filho: “Pelos exames, não tem fluxo sanguíneo. Ele está respirando pelo ventilador. É irreversível”.
Diogo acrescentou: “Fizeram exames na gente e foi constatado que a gente estava com metanol no sangue. É muito assustador. Meu amigo está há quase um mês internado”.
Helena expressou sua indignação com a situação: “É um crime o que estão fazendo. Hoje é meu filho, amanhã não sei quem pode ser”, afirmou, pedindo justiça e investigação rigorosa sobre o caso.
Alerta das autoridades
O Sistema de Alerta Rápido (SAR) registrou nove casos em apenas 25 dias, número considerado anormal pelos especialistas. O Ministério da Justiça e Segurança Pública emitiu alertas sobre os casos recentes, enfatizando a necessidade de atenção redobrada em bares e estabelecimentos, especialmente com bebidas como gin, uísque e vodca.
leva a intoxicações graves e potencialmente fatais. O cenário de adulteração é particularmente relevante do ponto de vista de saúde pública, pois episódios dessa natureza frequentemente resultam em surtos epidêmicos com múltiplos casos graves e elevada taxa de letalidade, afetando grupos populacionais vulneráveis e exigindo resposta rápida das autoridades sanitárias. Nesse sentido, requer alerta à população, considerando, inclusive, o início do fim de semana, quando há maior frequência a bares e consumo de bebidas alcoólicas.”
O CVS recomenda que a população adquira apenas bebidas de fabricantes legalizados, com rótulo, lacre de segurança e selo fiscal, evitando opções de origem duvidosa e prevenindo casos de intoxicação que podem colocar a vida em risco.




