Voltada a pessoas de todas as faixas etárias que tenham alguma limitação ou incapacidade de realizar atividades diárias, a Terapia Ocupacional tem crescido cada vez mais no ramo da saúde. Não à toa, o Centro Universitário Funcesi anunciou, recentemente, a chegada do curso ao campus itabirano. Porém, paralelo ao seu crescimento, a área também enfrenta dilemas importantes.
Para entender este cenário, conversamos com Maria Alves, terapeuta ocupacional desde 1997. Formada na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), a itabirana observa de perto a evolução da profissão.
“Acredito que nos últimos anos tivemos um crescimento exponencial na demanda em consultórios e instituições como Apae (Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais), escolas e empresas. Isso passa pelo conhecimento da terapia ocupacional na reabilitação e habilitação das pessoas com necessidades especiais, além do crescimento do diagnóstico dos transtornos do neurodesenvolvimento, como o TEA (Transtorno do Espectro Autista), as microcefalias decorrentes do zika vírus, paralisia cerebral e outras síndromes. Em adultos, são mais frequentes as demências, sequelas de AVC (Acidente Vascular Cerebral) e TCE (Traumatismo Crânioencefálico), que também aumentaram muito”, analisa.
Com a ascensão, surgem também os obstáculos. Maria Alves descreve o principal deles. “Desde a minha formação, temos muitos desafios nessa profissão. O maior deles são outros profissionais que querem se apropriar do objeto da terapia ocupacional, que são as atividades de vida diária. Conforme a AOTA (American Occupational Therapy Association, associação profissional que representa os terapeutas ocupacionais nos Estados Unidos e internacionalmente), ‘a terapia ocupacional utiliza atividades da vida diária como ferramenta para avaliar, intervir e avaliar resultados, com o objetivo de promover o bem-estar e a participação do indivíduo nas atividades que lhe são significativas’”, explica.
Em Itabira, a dificuldade é outra. A ausência de terapeutas ocupacionais, também constatada em outros municípios, obriga parte da população a pegar estrada em busca do tratamento ideal.

“No nosso município existe uma falta de profissionais na área da infância, adolescência e para adultos, principalmente com o diagnóstico de TEA, tanto no setor público como privado. Há uma lista de espera e muitas famílias estão levando seus filhos para Belo Horizonte ou João Monlevade”, relata.
Uma solução se torna ainda mais necessária ao analisarmos a grande presença da especialidade em diferentes espaços.
“Na reabilitação de membros superiores, já temos profissionais renomados na intervenção e confecção de órteses. Na saúde mental, há demanda para terapeutas ocupacionais nos centro de convivências, CAPS (Centros de Atenção Psicossocial) e para intervenção nos leitos de saúde mental dos hospitais gerais e dos hospitais psiquiátricos.”
T.O em Itabira
Como dito no início do texto, o Centro Universitário Funcesi passa a oferecer, a partir deste semestre, o curso de Terapia Ocupacional, a princípio com 30 vagas. Para se inscrever, basta acessar vestibular.funcesi.br!
Assessoria




